15 de nov de 2011

Rockstar - Capítulo XL


Com alguma sorte, atrasaram apenas cinco minutos e logo já estavam sentados no escritório de Michael Peters, que tinha substituído o velho olhar de desconfiança e desprezo que sempre reservava a Clara por uma expressão mais suave que ela ainda não conseguia definir exatamente do que era.

- Boa tarde! Tudo bem com vocês? - disse Michael saudando-os. - Soube que a gravação ontem foi um sucesso.

- Sim, acho que descobrimos uma nova estrela! - disse Jack sorrindo.

- Parabéns! Sua esposa é mesmo uma mulher de muitos talentos. - disse Michael sorrindo. - Bem chamei-os aqui para alguns avisos e também para legalizar a situação desta gravação que foi feita ontem à noite. Primeiro, a documentação para a solicitação de cidadania européia ainda vai demorar um pouco, as permissões de trabalho, já estão sendo providenciadas, mas o fato dela ter gravado ontem à noite sem esta documentação estar completa já torna sua atividade ilegal, mas acertaremos as datas dos contratos posteriormente e isso não deve ser considerado um problema. Bem, Clara, a banda fez uma reunião e me pediu para estender-lhe a oferta deste cachê pela gravação e também aqui está um pequeno adiantamento pela sua participação na turnê. Você deve conferir se o cheque está correto e endossá-lo, assim, mando depositá-lo em sua conta conjunta com Jack.

Clara pegou o cheque em mãos e não conseguiu entender o que viu.

- Espera... O que é isso, não estou entendendo?

- Amor, é um cheque de cinco milhões de libras!

- Não... mas tem uma coisa errada aqui... - disse Clara tremendo agora, muito nervosa. - Eu não queria nem receber nada por isso...

- Desculpa, mas esta não é uma opção. Este é um pagamento justo por sua participação no projeto, que a gravadora me autorizou a entregar-lhe. - disse Michael estranhando a reação dela diante daquele cheque.

- Justo? Como assim justo? Aí tem dinheiro demais. Jack, isso é coisa sua não?

- Como assim, coisa minha?

- Quanto vocês estão pagando para o Paul Clarke? Duvido que seja tudo isso?

- Desculpa, mas por contrato, não posso revelar esta informação, no entanto posso garantir que é bem mais do que isso. Como disse antes, este contrato do retorno da Crossroads está revolucionando todo o cenário e por isso tem muitos detalhes imprecedentes, como este.

- Detalhes? Me desculpa Michael, mas para um advogado você é um péssimo mentiroso. Esse dinheiro é do Jack, não é?

- E se for? - disse Jack. - O que tem de errado nisso? A banda é minha, você está gravando comigo, eu defino quanto vale o seu trabalho. Que tal isso?

- Já disse que não quero problemas com seus filhos e sua família. Eles devem receber seu dinheiro, não eu! Me casei para estar com você. Fui até aquele estúdio ontem porque queria te ver feliz! Não preciso do seu dinheiro!

- Mas Clara, olha direito este cheque. Você vê meu nome, ou minha assinatura nele? - disse Jack. - Olha! É um cheque da gravadora, não é?

- Jack, eu sei que você é acionista da gravadora? Eu sei e o resto do mundo também sabe. - disse Clara levantando-se da cadeira. - Me desculpa Michael, mas acho melhor parar de providenciar minha cidadania e começar a trabalhar nos papéis do divórcio porque eu estou voltando para o Brasil no próximo voo.

- Clara! Espera. Vamos conversar. - disse Jack saindo atrás dela. - Vem, vamos no café aqui embaixo.

Os dois desceram em silêncio no elevador do escritório, entraram no café e pegaram uma mesa no fundo da casa, fugindo dos olhares curiosos.

- Jack. Estou muito decepcionada com você. Não está certo aceitar isso. Não quero ser acusada depois de estar tomando o dinheiro de seus filhos e dos seus netos. - disse Clara tentando falar baixo, para não chamar atenção.

- Vem aqui, menininha. - disse Jack. - Me escuta primeiro, ok?

- Ok! - respondeu limpando as lágrimas que agora escorriam de seus olhos.

- Olha, eu não estou mentindo para você. Não sou mais acionista da gravadora há muitos anos. Você sabe que eu, o David e o Michael tivemos uma oferta de um bilhão de libras cada um por este disco e por esta turnê, não sabe?

- Sei... mas...

- Mas nada, amor. A gravadora perguntou para nós quanto deveria pagar a você, nós discutimos e mandamos o Michael dizer a eles. Foi só isso que aconteceu de verdade. Este dinheiro não veio nem do que eu já tinha e nem do bilhão que me pagarão ao longo da turnê. Eu te juro pela vida dos meus filhos...

- Não Jack... me perdoa, amor... Eu sai fora de mim agora, não podia te acusar desse jeito. Me desculpa.

- Você sabe que não concordei com aquele contrato pré-nupcial, mas não faria nunca uma coisa destas pelas suas costas. Você sabe que tudo mudou agora, depois da volta da banda. E até o contrato pré-nupcial vai precisar ser revisto, mas vamos sentar e discutir isso juntos, porque não quero fazer nada que te desagrade, ok? Vou te dizer uma coisa, 5 milhões é apenas cinco por cento do que estamos recebendo. Imagina se dessemos os 20 por cento que o David sugeriu...

- O que? - Clara começou a rir. - Acho que eu deveria ter me casado com ele...

Jack riu da piada e beijou-a. - Me perdoa menininha, mas eu votei contra. Sabia que você ia ficar pensando um monte de bobagens.

- Eu sei... Vamos subir que o Michael está nos esperando. Os papéis do divórcio já devem estar prontos a estas horas. - sorriu Clara.

Os dois subiram e entraram abraçados no escritório de Michael.

- Pela expressão de vocês devo entender que está tudo bem agora. - suspirou Michael aliviado.

- Sim, está! - disse Jack. - Depois eu e Clara voltaremos aqui para repensarmos o acordo pré-nupcial e este cheque, vai para uma conta só da Clara, ok?

- Devo então abrir uma conta para você? - perguntou Michael.

- Não precisa, deposita na conta conjunta, o que é meu, é seu, Jack.

- Não! Enquanto não cancelarmos o acordo pré-nupcial, você terá uma conta só sua. Não é justo. - disse Jack.

- Está bem! O que você precisa para abrir uma conta para mim, Michael? - perguntou Clara.

- Já tenho o que preciso, Clara. - disse Michael. - Só preciso que você assine estes documentos.

Clara assinou todos os papéis enquanto Jack a aguardava.

- Vou mandar o pessoal do banco amanhã no hotel para levar o cartão e acertar tudo com você. Mais uma vez, meus parabéns por sua integridade.

- Obrigada, Michael. - disse Clara apertando a mão do advogado. - Esperaremos por eles amanhã.

- Obrigado Michael, depois conversamos mais sobre o acordo, ok?

- O que você quiser, Jack! Assim que tiver novidades sobre os papéis de nacionalidade da Clara, também chamo vocês.

- E o que aconteceu neste escritório hoje, de você brigar por não querer o dinheiro dele. Nunca havia visto em minha vida; é a segunda vez que você me surpreende, senhora Noble e fico muito feliz por isso. Pode contar com minha ajuda para o que quiser.

- Obrigada novamente, Michael.

Os dois sairam agarrados do escritório e resolveram procurar nas imediações um lugar para almoçar. Encontraram um pequeno restaurante italiano e resolveram comer por lá. Clara pediu uma salada verde e um filé a italiana. Jack pediu um prato de massa a bolonhesa e os dois beberam vinho. Estavam comemorando o início da fortuna de Clara e o final de uma discussão séria que poderia ter colocado o relacionamento dos dois em jogo.

- O Michael está apaixonado por você. É incrível como você consegue conquistar todo mundo ao seu redor, menininha!

- Eu só me preocupo em conquistar você. Eu quero tanto te fazer feliz... Hum, este filé está incrível! Quer um pedaço?

- Quero sim... - disse Jack para Clara que cortou um pedaço de sua carne e colocou com seu próprio garfo na boca de Jack.

- Hum! Muito bom mesmo, menininha... Quer um pouco de pasta?

- Quero.

Jack enrolou um pouco de macarrão em seu próprio garfo e colocou na boca de Clara.

- Eu te amo tanto, Jack. Acho que ainda hoje, meu coração explode. Eu nunca senti nada assim na minha vida.

- Nem eu! Minha vida está nas tuas mãos, meu amor!

Depois de uma crise breve, mas significativa, os dois namoravam novamente. Comeram tiramisú de sobremesa e com a presença do dono do restaurante e de sua filha, a conta do almoço foi paga com algumas fotos e autógrafos.

Saíram e decidiram andar um pouco antes de voltar para casa. A ideia era a de tentar encontrar naquela região, que tinha muitas lojas boas, uma máquina para fazer café expresso. Quem os visse andando de mãos dadas pelas calçadas, nunca imaginaria que aquele relacionamento chegou a ser estremecido poucas horas atrás.

Jack disse que lembrava-se de uma grande loja de departamentos, ali perto, que poderia ter a máquina que queriam e os dois seguiram até ela.

Encontraram uma grande variedade e escolheram aquela que consideraram a melhor, embora não tivessem muito conhecimento sobre o assunto, agora teriam como tomar seus cafés e capuccinos sem maiores incômodos.

Os dois continuaram percorrendo a loja, Jack agora com uma enorme sacola nas mãos e Clara agarrada nele como sempre. Passearam por vários setores, de aparelhos para cozinha, eletrônicos e de brinquedos, onde Clara comprou presentes para os netos de Jack. Compras em clima de romantismo, mas foram interrompidas pelo celular de Jack.

David chamava o velho amigo para o estúdio, queria adiantar as gravações daquele dia porque Cindy estava insistindo com ele para ir a um casamento de uma amiga na Itália, na próxima sexta-feira e ele tinha prometido a ela que iria junto.

- O David está me pedindo para ir agora ao estúdio, amor. Vamos? - Jack perguntou para Clara depois de desligar o telefone.

- Acho que vou preferir ir para casa. Posso usar esse tempo para escrever um pouco, estou me sentindo atrasada... - respondeu Clara acariciando os cabelos de Jack.

- Então eu te levo para casa antes. - disse Jack. - Vamos indo?

- Não, amor, vou comprar mais umas coisinhas para nós. Pode ir, eu pego um taxi. Deixa as sacolas comigo.

- Bom, se você prefere assim. Eu te ligo mais tarde, quando entender o que o David planejou para hoje. - disse Jack beijando-a. - Queria muito ir para casa com você.

- E eu queria que você fosse. Mas você tem um disco para gravar, amor. Tchau...

- Se eu for agora você não vai se sentir abandonada e ficar triste...

- Claro que não, meu amor! - respondeu Clara sorrindo. - Pode ir tranquilo!

- Então tchau! - e sussurrou. - Na volta a gente conversa...

Clara apenas sorriu e beijou-o. Fez-se de forte porque no momento em que ele foi embora já estava sentindo sua falta.

Suspirou fundo e continuou dando uma olhada nos produtos da loja. Foi até o banheiro retocar o batom e depois seguiu até a rua, voltando alguns quarteirões a uma cafeteria sofisticada que vendia produtos para serem usados com máquinas de expresso caseiras. Comprou um bom café, uma mistura para capuccino e uma caixa de bombons.

Pegou um taxi na porta da loja e voltou para casa. Subiu, guardou as compras, pegou o notebook e sentou-se no escritório. Era estranho demais saber que a partir do dia seguinte teria uma conta no banco com cinco milhões de libras depositadas, mas preferiu esquecer completamente esta informação para poder dedicar-se ao segundo capítulo de seu livro.

Respirou fundo e decidiu canalizar toda a paixão que sentia por ele naquele texto, onde narrava com palavras que ele tinha dito as alegrias e dificuldades de sua infância, sua relação com os pais e a irmã mais velha e o lento processo pelo qual aquele doce garotinho com aparência de anjo, tornou-se um apaixonado pela música, aprendendo a tocar os instrumentos que sempre existiram em sua casa até que ela se tornasse uma obsessão, quando conheceu Elvis.

Falou também da escola, onde conheceu seu outro "irmão" Donovan, um companheiro para todas as horas dali em diante.

Jack só ligou para ela no final da tarde avisando que voltaria para casa de madrugada e que ela não deveria ficar esperando por ele.

Clara então lembrou-se que Cindy também deveria estar no hotel, esperando pelo marido e convidou-a para jantar na suite com ela. Ela então subiu imediatamente e Clara pode relatar a ela toda a questão que envolvia o tal cheque de cinco milhões.

- Hum, não sei Clara. Para nós, que sempre vivemos uma vida normal, parece dinheiro demais, mas para esses caras... Você sabe que eles estão recebendo um bilhão de libras cada um, não sabe?

- Eu sei... mas me deu um pânico na hora, tive medo dele estar tentando me dar dinheiro para burlar o acordo pré-nupcial...

- Acho que não... É só mais um sinal da loucura desse contrato deles. Também seu marido passou trinta anos dizendo não...

- Espero mesmo que seja isso. Briguei com ele, ameacei ir embora... Acho que dei vexame, amiga...

- É bom, porque assim ele fica sabendo que se fizer coisa errada fica sem você... - sorriu Cindy.

- Não sei... Doeu tanto fazer isso... Acho que não conseguiria mesmo simplesmente sair andando. Sou patética...

- Não! Você só gosta demais desse hippie... - riu Cindy. - Já sabe o que fará com o dinheiro?

- Acho que vou mandar o Michael investir, ele cuida do dinheiro do Jack. O Jack insistiu para que abrissem uma conta separada para mim, eu nunca tive dinheiro e não tenho a menor ideia do que fazer com ele.

Depois Clara mostrou a ela o que já tinha escrito do segundo capítulo do livro e as duas pegaram o menu do serviço de quarto e escolheram uma refeição leve para o jantar e pediram também uma tábua de queijos, frutas e champagne como sobremesa.

- Ai Cindy... estou morrendo de saudades dele... Espera um pouco. - disse Clara subindo no quarto e pegando uma das camisas de Jack e vestindo. - Assim fico mais quente e sinto o cheirinho dele.

Cindy caiu na gargalhada diante do exagero da amiga. - O Jack tem razão... você é uma figura, Clara.

- Eu sei que sou - riu Clara. - Ah! Compramos uma máquina de café hoje, lá perto do escritório do Michael. Quer um capuccino?

Clara pegou a sacola onde a máquina estava e começou a abrir sua caixa. Pegou o manual, montou tudo conforme as instruções, pegou a mistura que havia comprado na cafeteria, colocou água e usou as canecas decoradas com coraçõezinhos que tinha comprado na loja de café para servir os capuccinos.

- Hum! Perfeito! Vou anotar a marca para comprar uma lá para casa.

- Compra sim, amiga!

O celular de Cindy começou a tocar. - Hum, é o David!

- Oi David. Tudo bem?

- Estou na suite da Clara, acabamos de tomar um capuccino feito por ela que ficou maravilhoso.

- Sim, por que? Não sei, vou perguntar...

- O David pediu para te perguntar se você não quer ir lá para o estúdio? Eles queriam jantar com a gente, mas quando disse que já jantamos, ele falou que ia jantar agora e quer que nós peguemos um taxi aqui e vamos até lá para assistirmos a gravação. Disse que o Jack está com saudades de você.

- Mas se ele está, por que não me ligou?

- Acho que porque você disse para ele que não ía... - riu Cindy.

- Vamos? - perguntou Clara. - Quero ir agora...

- Vamos sim... - disse Cindy. - Estamos indo para aí David, vou me trocar de roupa e vamos pegar um taxi. Beijos.

- O que será que está dando nesses homens? - disse Cindy. - O David nunca me quer por perto quando vai para o estúdio. Nem lá em casa ele gosta que eu desça no estúdio.

- Não sei, amiga. Mas sei que vou estar perto do meu Jack de novo...

As duas combinaram que ligariam uma para a outra quando estivessem prontas. Clara correu para o banheiro e tomou uma chuveirada rápida. Vestiu uma calça preta skinny, botas, uma camisa preta de babados agarrada ao corpo, que tinha comprado em Paris e sua lingerie mais sexy, toda preta, porque a camisa tinha alguma transparência que deixava ver o formato do sutiã.

Deixou os cabelos cacheados soltos, colocou brincos indianos nas orelhas e olhou-se no espelho. Achou que estava sexy demais e colocou um casaco de couro por cima, para disfarçar um pouco.

Fez sua maquiagem, colocou perfume, pegou sua bolsa e mandou uma mensagem de texto para Cindy avisando que estava pronta e já estava esperando por ela no saguão.

- Vamos embora amiga? - disse Cindy ao chegar no saguão. - Uau! Vestida para matar!

- Você também está muito bem, Cindy! Não vejo a hora de chegar lá!

Pediram um taxi ao porteiro e deram o endereço dos estúdios Abbey Road a ele. O trânsito de Londres continuava complicado e já tinha passado das nove da noite. Demorou demais para a ansiedade de Clara, mas elas chegaram ao portão do estúdio onde alguns fãs estavam reunidos e Cindy teve que ligar para o roadie de David, para que ele saísse do estúdio e liberasse a entrada do taxi no pátio de estacionamento.

O roadie foi até o estacionamento buscá-las porque a banda estava gravando naquele instante. Os três entraram pela sala de controle de onde acenaram pelo vidro avisando que já estavam por lá.

David sorriu, mas Jack ainda não sabia de nada, estava atrás do biombo e de lá não tinha visão do que acontecia na sala de controle.

- Senhores, pausa agora para o chá. Jack, tem alguém na sala de controle que acredito você gostará muito de ver.

Jack tirou os fones, levantou-se do banquinho e olhou para a sala de controle, onde viu Clara. Correu até lá, abriu a porta e foi até ela, beijando-a apaixonadamente.

- Meu Deus! Você está linda! - sussurrou em seu ouvido. - estava morrendo de saudades e o David resolveu que ia ligar para você vir...

Logo David também estava na sala de controle. - Então Velhão? Gostou do presente? - disse David. - Oi amor! Que bom que vocês vieram... tinha alguém que estava chorando no meu ouvido...

Clara sorriu, tirou o casaco e Jack a agarrou novamente.

- Chuck, coloca o final da balada de novo, porque eu acho que tem um vazamento de bateria que está horrível... bem no final. - disse David. - Ouve isso, velhão...

- Hum...

- Mas dá para tirar isso do canal...

- Mas fica abafado se tirar... Vou fazer mais um take. - disse David. - Vamos lá, velhão?

- Me dá mais um minuto. - disse Jack. - Amor, quer ficar lá dentro comigo?

- Quero sim. - disse com os olhos fixos em Jack. - Tem problema, David?

- Claro que não... É só não fazer barulho. Desliga o celular e deixa casaco, bolsa e tudo que possa fazer barulho aqui. Vai filmar?

- Vou!

- Então espera... Fergie, coloca um banquinho lá para a Clara sentar-se e dá um fone para ela. Cindy, você quer ir lá dentro?

- Vou, mas fico lá nos sofás.

- Ok! Então vamos?

Os quatro saíram da sala de controle, Jack agarrado em Clara como uma criança a seu brinquedo na manhã de Natal. Sentou-a no banquinho onde ela tinha gravado na noite anterior, colocou carinhosamente o fone em seus ouvidos, beijou-a mais uma vez e sentou-se em seu banquinho.

Ela então pegou a câmera e apontou-a para ele, concentrado em sua música, ele gravava uma balada que ela ainda não tinha ouvido. A letra falava mais uma vez sobre o relacionamento deles e parecia relatar um dos sonhos que tinham tido recentemente em que estavam juntos sob o céu azul em uma tarde ensolarada em sua montanha.

Clara tentava não chorar, mas a cada nova estrofe emocionava-se mais. Jack cantava a música olhando para ela, o que a fez desistir de filmar para simplesmente olhar para ele. Aparentava estar cansado agora, mas olhava para ela com tanto encanto, que mesmo ouvindo aquela música com uma letra que significava tanto para ela, não via a hora de que tudo terminasse para poder beijá-lo novamente.

Quando a música terminou e David disse valeu, Clara levantou-se do banquinho e se atirou nos braços dele. Beijou-o como se o mundo estivesse prestes a terminar e aquele fosse seu último beijo.

Jack ficou um pouco perdido depois do beijo. Tirou o fone do ouvido, levantou-se do banquinho e puxou Clara contra seu corpo. Os dois agiam como se não houvesse mais ninguém naquele estúdio, agarrados um ao outro como se sua própria vida dependesse disso.

- Crianças, não se empolguem tanto. Temos mais músicas para gravar hoje... Temos dez minutos agora, se quiserem aproveitar e usar a salinha de descanso, o Jack sabe onde ela fica. - disse David no microfone colocando a equipe inteira para rir.

Mas Jack não gostou da brincadeira e fez gestos rudes para o amigo. Pegou Clara pela mão, subiu as escadas e foi até o restaurante com ela.

- O que foi Jack? - perguntou Clara vendo-o nervoso.

- Você não ouviu o que o David disse?

- Ouvi. Mas foi só uma brincadeira. Não leva isso a sério. - sorriu Clara.

- Ele foi muito rude com você, amor. Não dá para deixar passar isso.

- Mas ele é seu amigo, vocês se conhecem há mais de 40 anos, acho que já têm intimidade para isso.

- Mas ele foi rude com você, que ele mal conhece.

- Eu não estou ligando, eu te amo e estou feliz de estar aqui do seu lado. Muito feliz. - disse Clara acariciando os cabelos dele.

Ele parou, olhou fundo nos olhos dela e tentou sorrir. Ela então beijou-o no rosto.

- Eu te amo, menininha. Só por isso não vou até lá quebrar a cara dele.

- Obrigada querido. Eu não quero ver vocês dois brigando, ok?

- Está bem! Vamos voltar para o estúdio, então? - perguntou Clara.

- Vamos!

- Vou ficar novamente na cabine com você, mas desta vez vou filmar. Ok?

- Claro, amor. O que você quiser.

Os dois caminharam de volta ao estúdio. David ainda estava acertando os detalhes com os técnicos e apenas desviou os olhos para ver Jack e Clara voltando ao seu posto na cabine.

- Hei Velhão, vamos fazer o blues? Sua gaita está com você?

- Está aqui, Dave... - respondeu em um tom quase rude.

David então sentindo no ar o rancor do amigo, aproximou-se deles e disse discretamente: - Desculpa Princesa... Não deveria ter falado aquelas bobagens. A Cindy acabou de me ameaçar com divórcio porque fui muito indelicado com vocês.

- Está desculpado, David. - sorriu Clara.

- Amigos de novo, Velhão?

Jack sorriu, caminhou até David e beijou-o no rosto!

- Viu Cindy? Não precisa mais do seu advogado. - riu David.

Clara também sorriu para a amiga que aproximou-se: - Está tudo bem por aqui, agora, não?

- Sim amiga!

- Vem cá, vocês querem ir conosco para a Itália? Vamos a um casamento na sexta, mas passaremos o final de semana na Costa Amalfitana...É lindo, você conhece, Clara?

- Não, ainda não conheço. - respondeu.

- Estava pensando em passar o final de semana na nossa montanha, amor. Mas se você quiser ir para a Itália com eles...

- Ai Cindy, não fica chateada, mas acho que vamos para a montanha. Está sendo uma semana muito longa para a gente e queremos apenas descansar.

- Vocês que sabem. - disse David. - Eu não queria ir, mas a Cindy é amiga da noiva e sabe, como são as mulheres, não é, Velhão?

- A minha mulher é maravilhosa! - disse Jack sorrindo para Clara.

- Então vamos trabalhar? - disse David caminhando para suas guitarras. - Tudo pronto daí?

- Vamos gravar o blues agora. Tudo certo aí Mike? Paul?

- Então vamos, 1, 2, 3... 1, 2, 3, 4...

E o blues explodiu nos fones de Clara, denso, carregado de desejo, aquela era uma das primeiras músicas da nova fase da parceria dos dois e tinha uma letra que falava sobre uma mulher que usava seus poderes de sedução para fazê-lo sofrer. A câmera que Clara havia aproximado de seu rosto agora funcionava para ela como uma máscara para esconder seu desejo por Jack completamente mergulhado na música.

Cantava, gemia e entre uma coisa e outra tirava sons arrepiantes de sua gaita. Se ao menos soubesse onde era a tal salinha de descanso, ela o levaria até ela e transariam até aquele desejo, que ele havia despertado novamente com sua música, estar saciado.

Quando a música terminou todos no estúdio estavam espantados com a beleza do que tinham acabado de fazer.

- Uau! - disse David. - Esse primeiro take está absurdamente bom. Mas vamos fazer mais dois para garantir... Velhão, o que foi esse solo de gaita? Você consegue fazer isso de novo?

- Opa! Tranquilo! Vamos lá?

A banda fez mais dois takes perfeitos e Clara sentia-se no céu, mesmo assim queria estar voltando para casa.

- Caros colegas, acho que depois desse terceiro take já temos o que queríamos. Este blues está absurdamente bom e agora sinto de verdade a Crossroads de volta! Parabéns a todos e amanhã, quero todo mundo aqui às quatro, ok?

- Princesa, obrigado por ter vindo e inspirado meu melhor amigo a ser ridiculamente fantástico nesta noite. Devemos mais isso à você...

Clara sorriu e mandou um beijo para David.

- Vamos dormir, povo? - disse David.

Todos os técnicos e roadies passaram a arrumar o estúdio, desligar equipamentos e colocar os intrumentos em suas cases. Os quatro músicos se juntaram no meio do salão para conversar e Clara então decidiu ir falar com Cindy.

- Estou mole, amiga! - disse Clara. - Meu Deus quanto talento junto!

- Pois é! Foi fantástico. Se eles fizerem isso na estrada, nem sei o que pode acontecer. - disse Cindy. - Estou passada!

- Meu Jack brilhou como nunca. - disse Clara com os olhos brilhando. - Acho que estou ainda mais apaixonada.

- Princesa, Cindy, venham até aqui por favor... - disse David. - Estamos aqui conversando sobre o final de semana e decidimos que para manter as coisas nos trilhos passaremos a noite toda de amanhã por aqui e assim estaremos livres para viajar na quinta feira à tarde. Então, senhoras, nos autorizam a fazer isso?

- Claro! - respondeu Clara aproximando-se de Jack e segurando sua mão. - Vamos ficar no hotel amanhã preparando as malas, certo Cindy?

- Sim! Vamos... E a Jennifer, Michael? - perguntou Cindy.

- Vamos passar o final de semana em Paris. Tem um desfile beneficente no sábado e ela está toda empolgada.

- Ela poderia passar o dia conosco amanhã. Vou ligar para ela. - disse Cindy. - Ah, Jack. Amanhã de manhã vou passar na casa de vocês, se vocês quiserem ir até lá é só me ligar.

- Só vamos lá na próxima semana... - respondeu Jack. - Amanhã vamos esperar pelo pessoal do banco lá no hotel.

- É mesmo! Já tinha esquecido! - riu Clara.

- Menininha... Vamos para casa?

- Vamos sim, amor. - disse Clara. - Amanhã, eu te ligo, Cindy. Assim que me livrar dessa chatice de banco e advogado...

- E os caras vão lá para te dar 5 milhões de libras, menininha. Imagina se fosse para te cobrar alguma conta. - riu Jack. - Vem, maluquinha.

Clara vestiu novamente seu casaco de couro, pegou sua bolsa e caminhou até o carro agarrada a Jack. Mesmo de madrugada ainda havia alguns fãs na frente do portão do estúdio e assim que saíram pela porta começaram a gritaria e os flashes.

O jipe de Jack e a Mercedes de David foram juntos todo o caminho até o hotel e entraram juntos no estacionamento e os quatro subiram juntos no elevador até suas respectivas suítes.

- Boa noite, Velhão... - disse David ao descer no décimo andar.

- Até amanhã Dave. Te ligo quando sair daqui... - disse Jack.

Jack e Clara se abraçaram quando os dois desceram e entraram abraçados em sua suíte, subindo direto para o quarto. Jack estava bem cansado, mas ajudou Clara a tirar a jaqueta e pediu que ela apenas se sentasse na cama como estava e esperasse por ele, porque ia tomar uma chuveirada rápida e já voltava para ela.

Ela sorriu e sentou-se revivendo em sua mente aquele blues que Jack tinha acabado de gravar, seus gemidos, a própria expressão de abandono e desespero que tranformava uma simples canção em um futuro novo clássico da banda.

Perdida nestes pensamentos ela nem percebeu o tempo passar, logo Jack estava na frente dela, nu, de joelhos, abrindo os zíperes de sua bota de cano alto e tirando-a, enquanto ela enxugava um pouco seus cabelos molhados com uma toalha.

Logo, ela desistiu da tarefa e passou a beijá-lo, enquanto ele a despia peça por peça, como se ela não fosse capaz de fazer isso por si mesma. Enquanto isso ela beijava e acariciava todo o corpo dele, beijava seu pescoço, mordiscava suas orelhas delicadamente.

- Eu te amo tanto. - Jack sussurrava em seus ouvidos, enquanto ele continuava a despí-la.

- Você está me enlouquecendo Jack. - Clara dizia entre gemidos, tentando conter-se para não gritar de tanto prazer.

Os dois logo estavam na cama envolvidos em seus carinhos, dando e recebendo um amor que se mostrava muito maior do que eles. E pegaram no sono quando o dia já amanhecia.

Os celulares estavam programados para tocar às 10 da manhã. Era preciso que estivessem prontos para receber os funcionários do banco e Michael que viriam trazer a documentação de Clara.

Acordaram, tomaram banho juntos, tomaram café da manhã e receberam o gerente e dois funcionários do banco no escritório, ao lado da sala de jantar, no segundo andar de sua suíte.

Clara assinou os documentos e recebeu um talão de cheques, um cartão para movimentar a conta e um novo cartão de crédito platinum, sem limites, como convinha a uma nova cliente titular de duas contas milionárias como ela.

Continua

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