31 de out de 2011

Rockstar - Capítulo XXVI


Logo após o almoço, Cindy levou Clara de volta ao hotel e foi para Heathcliff Hall. Ela subiu até a suíte e decidida a relaxar trocou-se de roupa, atirou-se na cama e ligou a TV. Ficou zapeando por algum tempo, não queria pensar em mais nada naquele dia; mesmo assim sua cabeça fervia.

A programação da TV não ajudava, ela que tantas vezes reclamava da TV que se fazia no Brasil, encontrava no ar apenas reprises de seriados, infomerciais, novelas e programas tão ruins que começou a sentir um certo orgulho das coisas que assistia em casa.

Decidiu parar em um documentário interessante sobre os grandes romances através da história, que explicava como a ideia do amor romântico era muito recente na história do ser humano.
Embora o filme tivesse bases científicas com depoimentos de psicólogos e historiadores, Clara sentiu-se um pouco triste em saber que muitas histórias de amor que ela imaginava verdadeiras eram simples literatura, personagens e situações ficcionais que emocionavam, mas que nunca aconteceriam de verdade, porque simplesmente não era daquele jeito que as coisas funcionavam na época, os casamentos eram decididos pelas famílias e amor ou afinidade nunca faziam parte da equação.

Aliás, ficou tão triste que decidiu descer para andar até um dos mercados próximos do hotel e comprar bobagens para comer, chocolate, batatas fritas e um bolo de chocolate.

Ela não sabia o que estava acontecendo com ela, mas conhecia os sintomas, a ansiedade estava ganhando mais uma batalha e agora ela se manifestava em uma de suas faces mais conhecidas: o festival de comida calórica.

Para diminuir sua culpa, comprou também maçãs, morangos e alguns cachos de uva.

Voltou ao hotel e quando abriu a porta da suíte surpreendeu-se. Jack e David já estavam lá, sentados na sala de estar conversando, com copos de uísque nas mãos.

- Oi amor, que bom que você já chegou! Oi David!

- Olá Clara! Tudo bem? - respondeu David em português.

- Tudo! - respondeu Clara em português.

- Pronto! Já começou! Vão falar em português de novo... - disse Jack rindo - só para me irritar.

- Não amor, não se preocupe, vamos voltar ao inglês assim que terminarmos de falar mal de você. - respondeu Clara rindo - Não é David?

Jack não disse nada, apenas ergueu-se do sofá e veio na direção de Clara, tirou a sacola de suas mãos, colocando-a sobre um dos sofás e a beijou. Um beijo apaixonado e completamente inesperado.

- Do que vocês falavam? - perguntou Jack a seguir com um sorriso nos lábios.

- Nada, Jack... desculpa estávamos brincando. - respondeu Clara. - Como você está hoje?

- Bem, eu e o meu amigo David acabamos de ganhar mais alguns milhões assinando um contrato e estávamos aqui pensando em uma comemoração.

- Hum! Parabéns meninos! Por uma daquelas coincidências incríveis, estou voltando do mercado da rua de trás e trouxe algumas guloseimas que podemos dividir, como chocolate, batatas fritas e até um pequeno bolo. Que tal?

- Sério, amor? Deixa eu ver... Uvas? Pringles? Temos nossa festa aqui. – disse Jack.

- Esta é muito boa, mas já liguei para a Cindy e vamos jantar naquele restaurante francês que você e ela gostam tanto. – disse David.

- Sim e depois viremos para cá para ouvir um pouco de música e contar para vocês exatamente como será a volta do Crossroads. – disse Jack.

- Nossa! A comemoração de vocês está me parecendo bem melhor! Acho que as coisinhas que eu comprei servirão de sobremesa para quando voltarmos.

- Claro! Teremos uma noite maravilhosa. Mas vocês terão que me aturar aqui. Pedi para a Cindy trazer minhas roupas e vou me preparar aqui mesmo para irmos ao restaurante. – disse David.

- Sem problemas, não faz mesmo sentido ir até Heathcliff Hall para voltar em seguida. – disse Clara. – Vocês já fizeram reserva no Chez Montagne?

- Já! Pedi para o concierge fazer. – respondeu Jack.

- Ótimo! Então vou só me arrumar. Com licença, rapazes.

Clara guardou suas compras no frigobar e subiu para o quarto em busca de algo apropriado em seu closet para vestir. Encontrou o vestido cinza que tinha usado em Nova York e a echarpe azul; só que desta vez ela colocaria os brincos e o colar de diamantes.

Para Jack, separou o terno preto, a camisa cinza e a gravata também cinza que comprou em Paris.

Também pegou a nécessaire com a maquiagem que usaria e arrumou a bolsa e os sapatos que os dois usariam. Pensou no que fazer com os cabelos e decidiu apenas amarrá-los em um rabo de cavalo alto. Com tudo decidido entrou no banho e começou a preparar-se. Enquanto ainda secava os cabelos, Cindy chegou à suíte e subiu ao quarto para conversar com Clara.

- E aí, amiga? Nos vemos antes do que eu esperava.

- Pois é! Nem tive tempo de conversar com o Jack sobre a casa. E a Jenni? Não vem?

- Não, querida. Foi para Paris por uns dias... Então os rapazes estão no topo do mundo novamente, não?

- Sim, isso é maravilhoso! Estou super feliz, nem sei dizer o quanto.

- Este é o vestido que você vai usar?

- É! Não é o mais sofisticado do mundo, mas é bonito. Eu usei ele em Nova York no show lembra?

- Lembro. É bonito, tem um ar chic.

- Bom, amiga, vou descer e me arrumar também, trouxe uma mala com roupas para mim e para o David e vamos também nos preparar para o jantar.

- Ok. Se você puder, pede para o Jack subir.

- Claro. Vou chamá-lo lá embaixo. Ele está bebendo com o David.

Jack subiu imediatamente. Entrou no quarto e foi direto ao banheiro onde Clara ainda secava os cabelos.

- Precisa de ajuda, amor? – perguntou Jack.

- Não. Está tudo bem. Você não vai tomar banho? – perguntou Clara.

- Sozinho? Ah! Não tem graça! – disse fingindo tristeza.

- Que bonitinho; fazendo birra para tomar banho. – riu Clara.- Vou te ajudar, então. Vem aqui, que te deixo peladinho!

- Hum! Agora gostei da ideia. Me ajuda com essa roupa aqui, vem amor.

Clara ajudou Jack a despir-se e levou-o pela mão até o chuveiro. Depois beijou-o e voltou aos cuidados com seu cabelo.

Quando Jack saiu do banho, ela passou hidratante em todo seu corpo e secou os seus cabelos, amassando os cachos para mantê-los bonitos.

Clara prendeu seus próprios cabelos e os dois vestiram-se rapidamente. Ela ainda fez uma maquiagem discreta e Jack ajudou-a a colocar o colar de diamantes.

Agora os dois estavam prontos para ir ao restaurante, desceram as escadas e ficaram esperando por David e Cindy.

Quando todos estavam prontos, eles desceram, subiram nos carros e foram para o restaurante. Na porta, os paparazzi de plantão ganharam o dia. Nenhum assunto era mais quente do que a volta da Crossroads e dois membros da banda, bem vestidos, chegando a um dos melhores restaurantes de Londres, era o tipo de coisa que interessaria a muitos jornais e revistas.

Em estado de graça, tiveram uma refeição maravilhosa. Agora que estavam novamente sob a mira de toda a imprensa, Michael colocou um segurança para ficar com cada um dos membros da banda e assim, dois seguranças acompanhavam o grupo e evitavam a aproximação de repórteres e fãs; mas um paparazzo encontrou uma posição estratégica e conseguiu fotografá-los dentro do restaurante. A foto, em que brindavam, foi publicada em um tablóide com a manchete: "Crossroads comemora contrato milionário".

- Bem, queridas senhoras, caro Jack Noble brindo agora ao melhor contrato da história da música e à vida boa que teremos nos próximos anos graças a ele!

- E eu, caros amigos, brindo a Clara! A mulher que transformou minha vida em um sonho! Que fez o sol nascer mais uma vez em meu horizonte e me trouxe de volta a inspiração e a vida!

Na saída ainda mais fotógrafos cercavam a frente do restaurante e os seguranças precisaram interferir para que os quatro chegassem aos carros. Clara ficou com medo de que os seguissem e ela tivesse que ver novamente as cenas assustadoras do caminho do ginásio em que tocaram em Paris, mas desta vez eles não tiveram este problema e em poucos minutos estavam de volta ao hotel.

Estavam tranquilos quando subiram para a suíte, David e Cindy passariam a noite em um dos quartos anexos e por isso, continuaram a comemoração noite adentro, com muito champagne e as frutas e chocolates que Clara comprou.

- Então, estou curiosa, como será a turnê? – perguntou Clara.

- Teremos um avião e um ônibus top de linha para viajar. As esposas viajam junto sempre que quiserem e serão só 10 shows em cada continente. E em homenagem a minha pequena princesa faremos dois shows no Brasil.

- Jack! Que lindo!

- E fica melhor... Nosso contrato é o maior da historia da música e o Peters calcula que cada um de nós terá aproximadamente um bilhão de libras no final.

- Mas é muito dinheiro, Jack. Sério?

- Seríssimo. E neste cálculo ainda não entrou a publicidade e a venda de direitos de transmissão para TV e internet.

- Viu só, Clara. – disse Cindy. – Você pode pegar seu cartão platinum e trazer Paris para casa agora.

- Pode sim, amor. Vamos para lá amanhã?

- Não. Cindy, não alimenta a maluquice do Jack, por favor. – disse Clara rindo. - Tem show amanhã à noite em Liverpool.

Enquanto eles falavam sobre os milhões que receberiam, David levantou-se e pegou mais uma garrafa de champagne e a abriu, encheu as taças, as distribuiu e disse que gostaria de fazer mais um brinde.

- Para Clara aquela que tornou tudo isso possível! A maior responsável por tudo o que está acontecendo aqui.

Já sem jeito com tantos brindes e homenagens, Clara decidiu que deveria mudar um pouco o clima e foi buscar um CD player portátil que Jack tinha comprado na semana anterior e propôs que a comemoração se mudasse para o terraço.

Clara pegou uma seleção de standards românticos da música americana em seu iPod e o conectou ao aparelho, assim, os dois casais puderam dançar na varanda, em um cenário que tinha ao mesmo tempo as luzes da noite da cidade, o céu estrelado e a luminosidade prateada da lua cheia do verão.

Clara e Jack moviam-se cada vez mais lentos e seus corpos queimavam. Como se ignorassem a presença do casal de amigos na mesma suíte, Jack beijava o pescoço e os ombros de Clara que o queria mais do que nunca. Precisava dele... ardia por ele.
Por cima dos ombros de Clara, Jack fez um sinal discreto para David, que apenas sorriu. Jack pegou-a pela mão e subiu as escadas até o quarto; onde a represa de sentimentos exacerbados pela beleza da noite se rompeu.
Logo os dois estavam nus e febris em sua crescente excitação. O desejo dominava todos os sentidos e pela primeira vez depois de sentirem-se completamente fora deste mundo, eles se emocionaram tanto com o que tinha acabado de acontecer que choravam abraçados, sentados na cama.

Pegaram no sono e dormiram abraçados e mais uma vez tiveram o mesmo sonho, estavam nus no bosque próximo da casa de campo, deitados em um perfumado campo de alfazemas olhando para o céu completamente azul de onde uma incrível chuva de pétalas de flores multicoloridas começou a cair sobre eles. Não eram mais simplesmente Jack e Clara mas percebiam-se parte de uma imensa rede de amor que viajava pelo universo em rios de luz caudalosos. Viajavam pela luz e haviam se transformado nela.

Quando Clara acordou às quatro da manhã não se lembrava mais do que tinha sonhado, mas carregava uma estranha sensação de ter estado o tempo todo ao lado de Jack e mais do que isso, de que os dois eram uma só pessoa. Levantou-se, vestiu-se, pegou seu material para fazer Yoga e foi para o terraço meditar para tentar se reequilibrar.

Estava estranhamente tranquila e a meditação ajudou a aumentar a sensação de paz e bem estar que alcançava novamente pela primeira vez desde que sua vida havia mudado completamente pelo convite de Jack Noble para ser sua ghost writer. Quando ela finalmente abriu os olhos, Jack estava no terraço também, de roupão, olhos perdidos no horizonte ainda enevoado das primeiras horas da manhã.

Clara ergueu-se do colchão de Yoga e caminhou até ele, que perguntou se ela não estava com frio, abriu seu roupão e fechou-o ao redor dela, beijando-a no topo da cabeça.

- Você não vai acreditar mas tive o sonho mais louco que você pode imaginar - disse Jack. - Você estava nele, comigo o tempo todo, foi lindo.

- Eu sei! Eu estava lá, Jack. - respondeu Clara, após lembrar-se de todos os detalhes do que havia vivido durante o sono.

- Sério? Mas foi uma coisa muito louca menininha, como se... eu não sei nem explicar...

- Como se fossemos pura energia e corrêssemos por rios de luz através do universo? – disse Clara.

- Isso... Foi a sensação mais linda da minha vida e tudo graças a você.

- Bom, foi da minha vida também Jack e, agora, depois de tanta ansiedade estou em paz - disse encostando a cabeça no peito de Jack. - O David e a Cindy já acordaram?

- Já. Estavam trocando de roupa para tomar café e eu vou com o David no escritório do Peters e a Cindy que vai atrás das plantas da nossa casa, e você, meu amor, fica por aqui e arruma as malas porque nós vamos na hora do almoço para Liverpool, lembra? Tenho show lá hoje à noite, o penúltimo da turnê.

- Ah! Sim! Claro, tinha me esquecido dos shows deste fim de semana. Amor, a Cindy te mostrou os planos da reforma da casa?

- Isso vai ficar para a volta, ela me disse que vai fazer todo o planejamento nesse fim de semana e deve apresentar para a gente na semana que vem. Enquanto isso, nós vamos para a estrada namorar um pouco.

- Eu nunca me canso de te ouvir cantar, meu amor. - disse Clara descansando mais uma vez a cabeça no peito de Jack.

- Bom dia, Clara. – disse David em português saindo no terraço.

- Bom dia, David. – respondeu Clara em português. – Vamos tomar café da manhã?

- Sim. E aí velhão? Já está precisando amarrar a moça para ela não fugir de você? – perguntou David ao perceber que Clara estava presa dentro do roupão de Jack.

- Não consigo ficar longe dele, David – respondeu Clara rindo. – já estamos até vestindo a mesma roupa.

- Então é aqui que todo mundo se esconde? Bom dia. – disse Cindy rindo ao chegar no terraço. – Clara, desta vez ele te amarrou mesmo...

- E estou feliz por ele ter feito isso. – riu Clara. – Então, meus queridos, vamos tomar café? Jack, você precisa me soltar, ou não conseguiremos nos mover.

Jack soltou o cinto do roupão, libertando Clara, e todos entraram para a sala de estar. Clara pegou o telefone e pediu café da manhã para quatro pessoas ao serviço de quarto. E enquanto eles esperavam que a refeição fosse servida, Jack subiu para tomar banho e vestir-se.

Todos comeram e partiram em seguida, deixando Clara sozinha na suíte com a missão de arrumar as malas para a viagem na hora do almoço. Não seria nada difícil, tinha arrumado malas tantas vezes nos últimos dias que estava se tornando uma especialista.

Assim que as malas estavam prontas, ela tomou um banho e vestiu as roupas que havia separado para viajar. Apenas deixou de fora o notebook e usou-o para navegar um pouco, ler e responder e-mails e pesquisar o que estavam comentando sobre Jack.

Estava tão em paz agora que nada mais a preocupava, só reconhecia um compromisso, o de ser feliz.

Guardou em seguida o computador, conferiu as duas bolsas de mão, a sua e a de Jack, e deu mais uma passada pelos três andares conferindo se não havia esquecido nada.

Sentou-se na sala de estar, com o celular nas mãos e ficou esperando por Jack. Eram quase onze horas, Jack chegaria a qualquer momento. Estava tão relaxada que acabou pegando no sono e acordou com um beijo dele.

- Princesa, pronta para ir embora?

- Oi amor, estava te esperando e peguei no sono. Vamos embora? – respondeu Clara – Já coloquei tudo nas malas e até preparei um lanchinho com aquelas coisas que sobraram de ontem para levarmos conosco. Vamos de carro?

- Não, amor. Vamos de jatinho particular de novo. O Michael não quer perder muito tempo e por isso teremos um jatinho daqui até Liverpool e depois até Dublin. Vai ser tudo fácil e rápido.

- Ótimo, então vamos descer?

- Vamos, mas antes...- Jack surpreendeu Clara beijando-a com paixão. – Vem aqui para perto de mim.

Os dois se abraçavam quando Jack pegou o telefone pedindo que o staff do hotel viesse ajudar com a bagagem. O segurança também veio até a suíte e viajaria com os dois e com Michael no jatinho.

O restante da banda já estava em Liverpool esperando pela chegada de Jack. Mais uma vez uma limusine os levou até o aeroporto e outra os recebeu no aeroporto de Liverpool.

Era mais um lugar que Clara sempre sonhou conhecer, mas daquela vez, infelizmente, ela só veria pelas janelas do carro.

A limusine chegou rapidamente na porta do hotel e os quatro desceram e foram até o saguão onde encontraram Charles que já estava hospedado.

O check in foi feito rapidamente e Jack e Clara subiram para a King Suite do Crowne Plaza de Liverpool, um hotel com perfil mais discreto e bem mais tranquilo do que o espetacular A Hard Days Night, que por sua decoração baseada nos Beatles, atraia além dos hóspedes uma multidão de turistas que poderiam atrapalhar a circulação da banda.

O quarto não tinha luxos, mas era bastante funcional, sala de jantar, escritório e a suíte propriamente dita com uma grande cama king size e um grande banheiro, com banheira e uma grande raridade, uma pequena cozinha com microondas, cafeteira para fazer expressos e frigobar.

- Bom, amor, tenho que fazer a passagem de som, onde estão aquelas coisas que você comprou ontem? – perguntou Jack.

- Aqui, nesta sacola. Vamos comer então.

- Vou lá na cozinha pegar pratos e talheres. Deve ter alguma coisa no frigobar para nós bebermos.

Clara pegou a sacola, levou até a cozinha e voltou com pratos e taças e depois com frutas e o bolo cortado, pronto para servir. Também pegou refrigerantes no frigobar e estava pronto o almoço.

- Você quer ir comigo ao soundcheck? Não estou com vontade de ficar longe de você...

- Vou sim... Como te disse, não me canso de te ver cantando.

- Ótimo. Então vamos porque já estou atrasado.

Os dois desceram e foram com Charles e um segurança para o teatro em que Jack se apresentaria. Alguns fãs estavam na porta e Jack conversou com eles, assinou autógrafos e posou para fotos, sempre sob os olhares atentos do segurança e de Charles.

O teatro era um local bem tradicional da cidade chamado Olympia. Assim que entraram, Jack e Clara foram direto ao camarim. Não havia muito tempo naquela tarde e logo Jack já estava no palco e Clara desceu dele para a platéia. John Stronghold, o guitarrista da banda queria fazer algumas mudanças na setlist. Jack gostou da ideia e mudou toda parte intermediária do show e pediu que o roadie trouxesse sua guitarra acústica para passar "Unexpectedly", a música nova que já tinha entrado em definitivo na setlist.

Sentado em um banquinho, ele tocava a guitarra acústica sozinho, com os olhos fixos em Clara e ela só queria poder beijá-lo.

Jack terminou de acertar os detalhes da setlist, repassou duas músicas com a banda e avisou a todos que estava voltando para o hotel. Depois fez sinal para Clara que atravessou o palco e seguiu com ele até o camarim, de onde os dois foram direto para o carro.

- Você mudou um pouco o arranjo da "Unexpectedly". Ficou lindo!

- Eu e o David estávamos discutindo isso ontem, acho que quando gravarmos, na semana que vem, ela vai mudar mais ainda.

- Semana que vem?

- Isso, amor... Entramos no Abbey Road no dia 23 de agosto, na terça-feira, no dia do meu aniversário.

- Mas você vai ficar longe de mim no seu aniversário?

- Não... você vai estar lá comigo, já avisei o resto da banda que quero que você esteja na sala do meu lado durante toda a gravação.

- Sério? Você vai me levar ao Abbey Road? Nem sei o que dizer, vai ser uma enorme emoção para mim. – disse Clara beijando Jack no rosto.

Jack puxou Clara para mais perto de seu corpo e os dois ainda estavam agarrados quando o carro chegou na porta do hotel, onde desceram junto com o segurança. Ao passar pelo saguão, algumas pessoas de um grupo de turistas reconheceram Jack e se aproximaram pedindo autógrafos e fotos.

Jack sinalizou ao segurança para não fazer nada, assinou os autógrafos, posou para fotos, algumas tiradas por Clara. E os três seguiram para o elevador e subiram até a suíte.

- Está com fome? - Jack perguntou para Clara.

- Um pouco, acho que tem mais alguma coisa ainda no frigobar.

- Ótimo. Mas também podemos chamar o serviço de quarto. Que tal um pouco de creme, ou sorvete para comer com esses morangos?

- Hum! Boa ideia. Acho que só terei fome mesmo depois do show.

- Depois do show? Acho que vou ter fome de você, Clara! - disse enquanto discava para chamar o serviço de quarto. – Por favor, eu quero uma porção de creme batido, sorvete de chocolate e champagne. Isso mesmo, apartamento 4356, senhor Peters.

- Você é o senhor Peters?

- É... Nós somos o senhor e a senhora Peters, moramos em Londres e estamos em Liverpool a negócios. – disse Jack rindo. – Você está comigo o tempo todo e eu esqueci completamente de te avisar que sempre me hospedo com um nome falso, para não ficar atendendo telefonema de fã maluco no meio da madrugada.

- É mesmo! Sabe que nem tinha lembrado desse detalhe, a gente viaja o tempo todo, fica mais em hotéis do que em casa e eu nem tinha percebido que não estamos usando nossos nomes verdadeiros. Sou muito desligada mesmo. – riu Clara.

- Você não precisa se preocupar com essas bobagens, pensa só na gente, em ficar comigo e esquece o resto.

- Já esqueci, Jack. Sabe no que eu estava pensando? No livro; preciso me concentrar nele e você precisa me ajudar, estou só esperando uma chance para voltar a trabalhar nele.

- Ah! Depois acho que quando estivermos no estúdio gravando vai ser o melhor momento. Vamos passar o dia todo juntos e quando voltarmos para o hotel, e você já estiver casada comigo, eu posso começar a te contar tudo; porque você não vai fugir mais, mesmo sabendo a verdade.

Clara riu e brincou com os cabelos dele na passagem, quando levantou-se para abrir a porta para o serviço de quarto. Depois que o garçom e o mordomo serviram as guloseimas pedidas, eles puderam finalmente relaxar um pouco.

Clara e Jack tiraram as roupas e foram deitar-se um pouco para descansar. Programaram o celular para tocar às seis da tarde, pois o motorista os levaria ao teatro às sete e meia e precisavam estar prontos. O show estava marcado para as nove.

Dormiram tão profundamente que quando o alarme do celular começou a tocar, parecia que tinham acabado de deitar-se. Prepararam-se rapidamente, logo estavam com Michael Peters e um segurança, na limusine, rumo ao Olympia.

Clara e Peters assistiram ao show de uma das laterais do palco e Jack mais uma vez encantou o público e foi aplaudido de pé, especialmente quando cantou “Unexpectedly” que em sua versão ao vivo, gravada no show de Paris, já tocava sem parar em todas as rádios do mundo inteiro.

Jack parecia muito feliz, mas já estava bastante cansado, queria apenas voltar para o hotel e ter uma boa noite de sono porque no dia seguinte faria um show em Dublin, o último da turnê, o último antes do casamento e o último antes de entrar novamente no estúdio com a Crossroads.

Continua

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