25 de out de 2011

Rockstar - Capítulo XX


Quando voltaram, todos no estúdio olhavam para eles e David e Cindy abriam uma garrafa de champagne para comemorar aquela que seria a primeira apresentação da nova formação da banda, os fãs da Crossroads teriam esgotado todos os ingressos para o show em cinco minutos, assim que divulgaram pela internet que os três músicos se apresentariam naquele show para arrecadar fundos para a UNICEF.

Seriam apenas três músicas, mas os fãs agora lutavam desesperadamente entre si para comprar ingressos que estavam sendo revendidos por pequenas fortunas em sites de leilão.

- Bom, agora que a Clara já sabe o que andamos aprontando aqui neste estúdio em sua ausência podemos comemorar adequadamente tudo o que tem acontecido e tudo o que deve acontecer em nossas vidas. Clara! Devemos tudo isso a você! – Brindou David.

- Obrigada, queridos! Estou sem palavras! Os últimos dias têm sido muito difíceis para mim, minhas emoções estão completamente descontroladas. Por isso, peço desculpas por meus exageros e crises. Nunca amei tanto na minha vida e por isso estou fora do meu normal e agradeço imensamente a paciência que vocês todos estão tendo comigo.

Jack sorriu para ela, aproximou-se, abraçou-a e beijou-a na testa. E sussurrou em seu ouvido: - Eu te amo menininha!

Clara, Cindy e Jennifer voltaram para a sala de controle quando o ensaio recomeçou alguns minutos depois e para poderem conversar mais a vontade, pegaram uma garrafa de vinho na passagem pela adega e subiram para a sala de estar.

Abriram o vinho e despejaram nas taças. A comemoração continuava, especialmente para Clara, que já tinha bebido bem mais do que sua cota de champagne.

- Vocês não me contaram nada... já sabiam desse show em Paris e não me disseram nada.

- Mas só ficamos sabendo disso hoje, no fim da tarde, o Jack pediu para fazer segredo porque ele queria te surpreender.

- E surpreendeu mesmo! Eu estou tão feliz que acho que meu coração vai explodir... – disse Clara limpando as lágrimas dos olhos.

- Nós também! É Paris, eles vão tocar e nós teremos algum tempo reservado para compras. O que você acha? – disse Cindy cinicamente.

- Eu não perderei meu tempo com compras, é a cidade mais romântica do mundo. Acho que só vou deixá-lo sair de dentro de mim, quando for a hora de subir ao palco. - respondeu Clara.

As três caíram na gargalhada diante de mais um dos exageros de Clara, mas a verdade é que ela mesma estava assustada do quanto suas emoções, seus sentimentos e desejos estavam descontrolados, ela queimava por dentro de vontade de estar com ele naquele instante.

Depois de mais alguns minutos e já bem zonza com toda a bebida, Clara disse às amigas que precisava arrumar as malas porque os dois partiriam cedo para Londres e de lá para Manchester e que só voltariam a encontrar-se no domingo, a caminho de Paris.

Ela subiu, foi para o quarto, jogou um pouco de água no rosto e começou a recolher suas coisas e as de Jack que estavam espalhadas por lá.

Depois de terminar, separou uma muda de roupa para cada um, para a viagem no dia seguinte e fechou as malas.

Ouviu mais uma vez o som dos carros da equipe partindo de Heathcliff Hall e entrou no chuveiro. Quando estava tomando seu banho, Jack entrou nu no banheiro, reclamando que ela não o havia esperado.

- Ai Jack, vem aqui – puxou-o para dentro do box e empurrou-o contra a parede.

E os dois passaram a noite juntos, continuando na cama o que haviam começado no chuveiro e quando o dia amanheceu dormiam exaustos agarrados um ao outro.

O alarme do celular soou e os dois levantaram, tomaram banho, vestiram-se e desceram com a bagagem pronta para colocar no carro.

Cindy não conseguiu acordar cedo naquela manhã, mas David e Michael ajudaram os dois a carregar o carro e logo Jack e Clara já estavam na estrada.

- Menininha, você ainda não me disse como foi a sua conversa com a Jane. Ela falou muito mal de mim?

- Não, Jack. Ela só me contou sobre o seu “mojo”.

- Ah! Tinha esquecido disso... Mas de lá para cá meu “mojo” mudou consideravelmente. – disse Jack rindo.

- Eu que o diga... – riu Clara.

E nesse clima de felicidade, os dois chegaram ao hotel e logo subiram para sua suíte, pediram um bom café da manhã e se prepararam para ir à emissora de TV gravar uma entrevista. Foram em uma limusine enviada pela emissora.

Quando chegaram havia alguns fãs esperando na porta, Jack desceu do carro de mãos dadas com Clara e eles posaram para algumas fotos, conversaram com alguns fãs e entraram no estúdio.

Sua banda “The Princes of New Orleans” já estava ensaiando a música Love In Vain e ele apenas acenou para eles, no estúdio ainda vazio, a caminho do camarim.

Depois de trocar-se de roupa e beber uma dose de uísque, Jack foi para o palco conferir como estava o som e ele já tinha um entendimento tão grande com a banda que uma passada rápida pela música foi suficiente.

Já com o figurino que ia usar, um dos produtores do programa veio buscá-lo para levá-lo a maquiagem, enquanto um outro produtor levava Clara ao auditório.

Clara sentou-se na primeira fila, ao lado de Charles Hutton, assessor de imprensa de Jack, em um auditório ainda vazio e ficou acompanhando a gravação do musical em um segundo auditório, pelos monitores do estúdio. Estava lá sentada, quando Jack Trussin, o jornalista da revista Time Out se aproximou dela no auditório.

- Clara Oberhan, da Rolling Stone Brasil, certo?

- Olá, Jack Trussin, da Time Out. Como vai?

- Eu é que pergunto. Então está de casamento marcado com Jack Noble e não contava nada aos colegas?

- Bom, naquele momento da coletiva não estava, mas agora estou. As coisas mudam, não é?

- Minha amiga Claire, da BBC também está por aqui. Ah! Olha ela ali. Claire – gritou ele e acenou para a repórter que havia acabado de entrar no estúdio.

- Olha só, a futura senhora Noble! Nossa! Posso ver esse anel? Que lindo!

- Vocês vão para o show de Paris? - perguntou Clara.

- Claro que vamos! Meu Deus e você está acompanhando os bastidores disso tudo, não é? Como estão os ensaios? – perguntou Trussin.

- Geniais! Só dá para dizer isso. Eu me surpreendo mais e mais a cada dia com o talento destes caras. Estou no céu! E vocês? Foram ao show do DVD, não foram?

- Sim, meu coração quase parou quando eles tocaram a música nova, linda demais. – disse Claire.

- Vocês não perdem por esperar pelo novo CD, isso eu posso te dizer. O Jack está muito animado com tudo. Tem horas que parece uma criança.

Enquanto eles conversavam sobre a nova fase da carreira de Jack, o público já começava a ocupar o auditório e os jornalistas foram convidados a sentarem-se na segunda fileira de cadeiras logo atrás de Clara..

A primeira entrevista seria a de Jack, logo que a gravação começou e ele foi chamado ao palco, o público foi ao delírio. O entrevistador queria apenas falar sobre a reunião da banda Crossroads que aconteceria no show de Paris e claro, sobre seu casamento, que já estava em toda a mídia.

Nada foi combinado, mas para o bem do projeto do livro, Jack apenas disse ao repórter que conheceu Clara em Nova York, quando ela hospedou-se por coincidência no mesmo hotel que ele, disse que a reconheceu no saguão e levou seu exemplar do “Crossroads Songbook” para autografar e que daquele momento em diante os dois estavam apaixonados.

- Assim? Amor a primeira vista? Soube que esta jovem está aqui na plateia hoje. O nome dela é Clara Oberhan, não é um nome muito latino, não?

- Ela fala inglês melhor do que eu, além de ser linda! Hey baby... – Jack acenou e mandou beijos para Clara, que sem graça mandou beijos para ele.

- Que lindinha, mas você tem certeza que ela não é menor de idade? Clara, venha até aqui por favor para contar direito esta história de amor a primeira vista.

Clara olhou para Jack, levantou-se e caminhou até o sofá onde ele estava sentado.

- Como foi, então? Você estava lá no hotel e ele apareceu na sua frente.

- Eu tinha ido até Nova York para tratar de um contrato de publicação, estava no saguão conversando com o meu editor quando apareceu o Jack com o meu livro em suas mãos e veio me pedir um autógrafo. Fiquei em choque, mas logo me controlei, escrevi: Caro Jack Noble, quem deveria estar pedindo seu autógrafo sou eu! Parabéns por seu talento! E assinei.
Ele leu a dedicatória, sorriu e começamos a conversar. Era perto da hora do almoço e ele nos convidou para subirmos na suíte dele para almoçarmos juntos e daí, nos convidou para o show que faria naquela noite. E tudo começou assim, para mim, que sempre fui fã da banda, ainda hoje parece algo surreal.

Jack pegou sua mão e a beijou.

- E daquele dia em diante, nunca mais nos separamos. – disse Jack – E depois que isso aconteceu, aconteceram outras coisas maravilhosas e minha vida mudou tão completamente que achei que queria que fosse para sempre e a pedi em casamento. Ela não quis, disse que era cedo demais, que não me conhecia direito, mas eu consegui convencê-la.

- Hum! Dura na queda?

- Sim, ela não me queria... Como pode?

Clara riu e disse que acabou aceitando porque era difícil resistir a tanto charme. E que os dois estavam muito felizes.

Assim que terminou a entrevista, Jack e Clara saíram do estúdio para o camarim e de lá para a limusine que os levou de volta ao hotel.

- Meu Deus, fiquei nervosa, mas acho que deu certo, pensei rápido pelo menos.

- A maior vantagem de casar com uma escritora é que ela consegue criar uma ficção ainda melhor do que a realidade. Eu inventei a história do autógrafo e você a melhorou tanto. Ficou perfeito!

- Foi muito bom! Eu sempre odiei dar entrevistas, fazer TV para divulgar meus livros, fico muito sem graça, não sei nem onde por as mãos.

- Mas você foi muito bem, roubou a cena completamente, eu deveria ficar bravo, mas não estou. – disse rindo.

Logo estavam novamente no hotel e tinham o resto do dia e a noite toda para ficarem juntos, iriam para o aeroporto de manhã, para viajarem para Manchester. Seriam dias de proximidade e intimidade em que somente se separariam quando Jack estivesse no palco.

Assim que chegaram a suíte, mergulharam nus na piscina interna, estavam dentro d’água, apenas descansando nos braços um do outro.

Conversaram, namoraram e passaram o dia esquecendo toda a tensão do casamento, do retorno da banda aos palcos, dos shows que ainda faltavam e de todas as próximas etapas que estavam no caminho deles. Sentiam-se leves e tranqüilos.

- Não vamos poder fazer isso sempre, baby. Mas sempre que conseguir dar uma escapadinha eu vou estar bem aqui, do seu lado.

- Que bom! E eu preciso me acalmar, aprender a ficar tranqüila quando você não estiver perto de mim. Dói tanto.

- Mas a gente vai achar um jeito, pensa assim, sempre que eu sair, estou começando a voltar para você, eu pertenço a este espaço aqui, que fica entre os seus braços e quando me afasto é para me aproximar em seguida, ok?

Clara o beijou e saiu da água, estava ouvindo seu celular tocando no andar de cima dentro da bolsa.

- Poxa, está ouvindo bem mais do que eu!

- Alô, oi Cindy, você me ligou?

- Sim, o Jack está por aí? O David estava tentando ligar no celular dele, mas está desligado.

- Claro, vou levar o celular até ele, espera um pouco.

- Jack, é o David, quer falar com você... disse que tentou ligar no seu celular e está desligado.

- Nem sei, ficou no bolso da outra roupa, eu acho. Oi David, o que houve?

- Os caras de Paris querem que a gente faça pelo menos uma das musicas antigas, o que você acha?

- Tudo bem, podemos fazer “Love you Forever” ou “Song of the Woods”, que tal?

- Balada Jack? Não era melhor uma porrada?

- “Rockin’ Over”?

- Pode ser, acho que é a melhor para esse tipo de show, não é?

- Então está fechado, vamos fazer a “Rockin’Over” e duas novas.

- Acho melhor fazer só uma nova, “Love You Forever”, “Unexpectedly” e fechamos com “Rockin’Over”.

- É o melhor mesmo! Vou avisar os caras, acho que eles vão gostar. Ah! E tem o problema do nome da banda...

- O que tem o nome?

- A imprensa toda está dizendo que é a Crossroads....

- Quer saber? Estou em uma temporada de exorcizar velhos fantasmas. Seria muito estúpido da minha parte ficar aqui sozinho remando para o outro lado quando todos querem que o rio continue levando o barco para a frente. Deixa rolar...

- Agora sou eu quem não está entendendo nada. Quem é você e o que você fez com meu amigo Jack Noble? - disse David rindo.

- Sou o mesmo de sempre. Demoro um pouco, mas posso mudar de opinião, não posso?

- Está bom, velhão! Vamos à luta, então! Qualquer coisa eu te ligo... Beijos.

Jack desligou o celular e o entregou para Clara que o colocou sobre uma mesa, na sala de estar. Tinha vestido um roupão e segurava outro para Jack, que naquele momento saia da piscina. Existia um clima estranho no ar. Ele parecia muito triste e Clara sem coragem de perguntar se limitou a apenas abraçá-lo.

- Estou aqui para você. Seja o que for, você não está sozinho. Se não quiser me dizer, não me diga. Tudo o que me importa é te ver bem.

- Eu preciso andar um pouco. Não é você, sou eu... Vou me vestir e dar uma volta no parque lá embaixo.

- Tudo bem... Eu vou estar aqui, quando você voltar. – disse Clara beijando-o.

Depois que ele saiu da suíte, Clara vestiu-se e correu até o terraço. Tinha a intenção de vê-lo lá de cima. Estava triste e muito preocupada, mas apoiava sua disposição de exorcizar os velhos fantasmas.

Voltou para dentro da suíte e decidiu sentar-se em uma das poltronas para esperar que ele voltasse. Não existia muito que ela pudesse fazer mesmo naquele momento.

Ficou tão quieta que pegou no sono e mesmo dormindo, começou repentinamente a sentir o perfume dele, acordou, Jack apenas a observava dormir, silenciosamente.

- Jack!

- Me perdoa. – disse Jack pegando sua mão e beijando-a – São velhas feridas e ainda estou tentando me curar.

Clara abraçou-o, passou os dedos por seus cabelos, e puxou a cabeça dele para seus ombros.

- Fica aqui, comigo. Mais uma vez eu repito que estou do seu lado, não importa o que aconteça. Eu sei que você não está nada confortável com essa decisão e por isso eu estou aqui para ouvir teu desabafo, por favor, fala comigo.

- Não me machuca, não mais... Você está fechando todas as minhas feridas e agora eu posso fazer isso sem sangrar. E mesmo que eu sinta alguma dor, eu sei que quando voltar para casa, você vai cuidar de mim.

- Disso você pode ter certeza. – disse Clara pegando as mãos de Jack. – Eu vou estar sempre aqui para te ouvir e te cuidar.

- O que mais eu posso querer? – disse Jack beijando-a. – Eu estou em paz com isso.

- Então, eu também estou em paz, Jack. – respondeu Clara acariciando os cabelos de Jack. – Vamos cuidar um do outro e deixar todo o resto para lá, ok? Quer saber? Estou com fome, vamos comer alguma coisa?

- Boa ideia, menininha! Tem um pub aqui perto que faz um purê com salsichas divino... Melhor do que o meu, você vai gostar.

- Ok! Vou me arrumar e já saímos - disse Clara, pegando o celular, a bolsa e prendendo os cabelos ainda molhados com um palito japonês. - Você vai assim? Sem um boné, ou óculos?

- Hum... Acho que não teremos problemas... Vamos, estou com fome, agora!

Os dois desceram e saíram do hotel de mãos dadas, seguiram por dois quarteirões tranquilos, sem encontrar qualquer problema. Neste aspecto, Londres era muito parecida com Nova York, a população não prestava muita atenção aos famosos que podiam assim circular pelas ruas, sem necessidade de segurança ou disfarce.
Mas a cidade tinha uma pequena desvantagem, a concentração de tablóides fez com que Londres também concentrasse um grande número de paparazzi, estes sim, perigos em potencial com sua ânsia de transformar um simples passeio pelo parque em um incidente de enormes proporções.

Mas naquele dia em particular, nem mesmo o mais insistente dos paparazzi estava nas ruas. Nuvens negras davam um aspecto cinzento ao céu, no meio da tarde indicando que uma tempestade estava se aproximando.

O pub era bastante tradicional e ficava na rua detrás do hotel, a duas quadras de distância, na verdade muito próximo da rua residencial em que se situava as casa de Jack Jr e de Jane, uma vizinhança tranqüila e endinheirada que se preocupava muito mais com seus gramados e jardins do que com o que acontecia no resto da cidade.

O dono do bar conhecia Jack desde a infância e o pub havia se tornado uma espécie de refúgio da banda, em uma época em que ensaiavam no estúdio que ficava no final daquela mesma rua. Jack contou a Clara que quase sempre ficavam dentro do bar, com as portas fechadas até de manhã, para evitar que recebesse multas da fiscalização.

- Hey, Dan, como estão as coisas?

- Jack, velhão! Quanto tempo!

- Essa é a Clara, minha noiva, a minha mesa está livre?

- Olá Clara! Estão todas livres hoje, ou está muito cedo para beber ou as pessoas estão com medo da chuva que vem aí... Vai lá que vou falar com você em um minuto.

- Estamos morrendo de fome, não demora.

- Estou a caminho. Susy, vem aqui para o balcão que vou lá falar com o velho Jack.

- Está andando na realeza, agora, velhão? Porque essa sua noiva é uma princesa! - disse o barman, pegando a mão de Clara para beijar – Dan Joyce, alteza!

- Não liga Clara, esse cara é maluco de pedra. – respondeu Jack. – E não vem com graça com ela não, porque vamos casar daqui a quinze dias.

- Paz cara! – respondeu Dan rindo.

- Eu vi que você, o Mersey e o Silver vão fazer um show em Paris na semana que vem. E aí? Posso me animar de ver todo mundo junto de novo, ou é só mais uma daquelas coisas?

- Ainda não sei bem o que é, Dan, estamos gravando um disco novo e vamos fazer esse show em Paris para a UNICEF, mas nem eu sei se isso é a Crossroads de novo ou não.

- Desencana Jack, o passado já foi. Deixa tudo para trás, chega de brigar, cara.

- Dan, vai buscar dois purês com salsichas e duas canecas de chope. Não almoçamos hoje, vê se capricha.

- Opa! Para mim, vocês são realeza mesmo e princesa, se o Jack fizer alguma bobagem..

- Vai buscar nossa comida, traste, a realeza ordenou! – disse Jack rindo.

- Nossa! Que figura!

- O Dan é um amigão nosso, já passou por um monte de coisas ruins, mas está sempre assim, rindo e fazendo piada.

- Que bom, Jack, estou feliz de conhecer outro amigo seu. Ele está na sua lista de convidados, não é?

- Sim, o Dan é um dos meus padrinhos. Vai estar no altar com o Mike e com o David.

- Ótimo, parece também um personagem bem bacana para entrevistar para o livro. Ele deve saber um montão de podres seus.

- Sabe, mas você não vai ficar sozinha com o Dan de jeito nenhum. Ele é um tremendo mulherengo, sempre foi.

- Isso chega a ser engraçado. Você, com ciúmes de mim! É doce e lindo, sabia?

- Ok! Eu tenho ciúmes de você, sim... Eu te amo, menininha e não quero te ver por aí com esses velhos safados.

- Ai, amor! – disse pegando a mão de Jack e colocando-a sobre seu coração. – Não sou capaz de te amar mais do que já te amo, meu coração está quase explodindo.

- Se não estivesse com tanta fome, nós estaríamos na cama agora. – Jack sussurrou em seu ouvido, beijandoa-a em seguida.

Dan chegou logo com os pratos e a cerveja e enquanto eles comiam, a chuva começou a cair forte lá fora. Logo, algumas pessoas que pareciam estar fugindo da tempestade começaram a encher o pub.

- E ai? O que você decidiu?

- Decidi que está tudo bem, vamos seguir em frente e você, minha menininha vai me escutar e segurar este coração aqui. – Jack imitou o gesto de Clara, pegando sua mão e colocando-a sobre seu coração. - Porque ele está em suas mãos.

Em algum ponto entre a crise do início da tarde e aquele almoço tardio, o clima de lua de mel foi restabelecido e eles estavam novamente no céu. Fazendo planos, conversando e muitas vezes simplesmente mergulhados nos olhos um do outro. Aliás, estes silêncios chegavam a durar alguns minutos e muitas vezes embaraçavam as pessoas ao redor.

Um grupo de turistas brasileiros que tinha entrado no pub fugindo da chuva, tomou coragem e decidiu aproximar-se da mesa. Jack recebeu-os bem, assinando autógrafos e posando para fotos. Clara por sua vez, pediu em português a eles que não postassem as fotos ou comentassem pela internet naquele momento, para que pudessem terminar a refeição em paz.

Eles atenderam ao pedido felizes por verem que seu ídolo de sempre estava namorando uma brasileira e imediatamente pediram convites para o show de Paris. Clara respondeu que estas coisas nunca chegavam às suas mãos, nem às de Jack e continuaram respondendo às perguntas dos fãs com muito bom humor.

Mas quando a chuva diminuiu, Jack e Clara se despediram e saíram rapidamente do pub. Ainda chovia, eles não tinham guarda-chuva e iriam chegar encharcados ao hotel, mesmo assim, andaram de volta abraçados, sem a mínima preocupação.

- Mais uma vez, você me faz andar na chuva, menininha. - disse Jack rindo no caminho.

- É só água, amor... Vamos, lá no hotel, nós tomamos um banho quentinho e depois eu seco seus cabelos com o secador.

- Hum... Gostei muito da ideia! Vamos apressar o passo que a gente chega mais rápido.

Continua

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