21 de out de 2011

Rockstar - Capítulo XVI


Os dois entraram, levaram a bandeja com as xícaras para a cozinha, lavaram e guardaram tudo rapidamente e em silêncio e foram, assim que puderam, para a sala de estar.

Clara e Jack sentaram-se no sofá e pegando a mão de Jack, Clara resolveu que precisava pedir desculpas: - Jack, eu te amo muito, mas será que não dá para esquecer essa história de casamento?

- Você não quer mesmo casar comigo? Por quê? Você não me ama?

- Claro que amo, mas...

- Eu sei que é rápido demais.- disse Jack. - não sei se você sabe, mas meu divórcio foi um pesadelo que me fez jurar na cama de um hospital que eu nunca me casaria novamente. Mas você virou essa página, eu não consigo pensar em mais nada agora, a não ser estar com você. Sei que meu pedido não foi feito apropriadamente, sei que você ficou chocada com a presença dos caras aqui, do traste do Michael, mas vamos fazer isso? Vamos nos casar e tudo será ainda melhor.

- Ah Jack! Você está me enlouquecendo. Me sinto feliz por você querer se casar comigo, e tem um lado de mim que é incrivelmente romântico e acha que esse casamento vai dar certo, que eu devo aceitar e ser feliz. Mas tem um outro lado, que se sente como um cãozinho que caiu do caminhão de mudança e está zonzo, no meio da rua, prestes a ser atropelado por algum carro, se o deixarem lá. – disse Clara enxugando os olhos que lacrimejavam completamente alheios à sua vontade. - Vamos fazer uma coisa, Jack? Você me dá um tempo para pensar?

- E quando você vai me responder?

- Assim que entender o que eu quero, porque nem eu mesma sei ainda.

- Ok! Não demora!

- Vou te responder assim que puder. E até lá a gente finge que tudo continua igual, que estamos felizes e bem, nos braços um do outro. Que tal?

- Ah Clara! Vem aqui, vem! – disse Jack deitando-se no sofá e puxando Clara para mais perto. O beijo dos dois foi intenso e assustou Clara novamente. A idéia de casamento enfim não era assim tão louca quando o envolvimento entre eles criava nela tanta alegria.

- Jack, você tem certeza disso? Quero dizer, você quer mesmo passar por tudo isso de novo? Eu nunca me casei, mas os três anos em que morei com o meu namorado, lá no Brasil não foram exatamente um "mar de rosas". Nós brigávamos até pelo controle remoto da TV e tínhamos ciúmes um do outro e uma competição profissional que chegava a ser uma coisa doentia. Hoje em dia ele trabalha em um jornal e costuma desprezar tudo o que eu escrevo. Nunca mais quis vê-lo de novo.

- Casamento é assim mesmo, por isso tinha desistido deles... O divórcio abriu meus olhos e depois dele, quando as coisas se complicavam, eu passei a não aceitar mais nada. Tudo passou a ser de igual para igual e nunca mais abri mão de nada por ninguém, o Jack Noble romântico e gentil morreu ali.

- Mas você é o homem mais gentil e doce que eu já conheci. - disse Clara enrolando os dedos nos cachos dos cabelos de Jack.

- Com você e só com você.

- Então, nós dois temos histórias de casamento parecidas. Além disso, gostamos das mesmas coisas e somos perfeitos juntos, mas Jack, as diferenças só aparecem com o tempo. Vou te contar uma coisa ridícula que já passou pela minha cabeça e que eu acho que você deveria saber.

- Conta amor! - disse Jack tirando uma mecha de cabelo que caia nos olhos de Clara.

- Bom, eu sou fã da Crossroads desde sempre, para mim, junto com os Rolling Stones era a melhor banda de rock que já existiu, a única que me emocionava mesmo e que eu ouvia constantemente. Depois comecei a ouvir seus discos solo e me apaixonei por você, pela sua música e mais do que isso, comecei a ver em você o homem ideal, uma espécie de príncipe encantado. Tudo coisa da minha cabeça, você era inacessível para mim e por isso eu podia te idealizar, te imaginar como eu quisesse. Por isso demorei tanto para responder seu convite, tinha muito medo de te conhecer e destruir o príncipe que existia dentro de mim...

- Sei... você quer saber por que está aqui agora? Você sabe aquela história sobre a música “The Song of the Woods”, no seu livro, aquela com o cavaleiro? Eu fiquei muito curioso como essa escritora do Brasil podia me conhecer tão bem... o cavaleiro era eu, não?

- Meu Deus! É melhor eu te contar então como escrevi essa história; eu estava escrevendo o livro com as músicas do Crossroads e a única música que eu sabia que precisava entrar de qualquer forma no livro, porque era a minha favorita, mas que ainda não tinha uma história era a “The Song of the Woods”. Eu estava ficando maluca, atravessando um tremendo bloqueio criativo. Mas numa bela noite, cansada de brigar com minha falta de ideias, fechei o computador e me deitei um pouco, deixei o disco de vocês tocando bem baixinho e peguei no sono.
Sonhei que me encontrei com um homem que nunca tinha visto antes em um bosque e ele me contou a história de um cavaleiro que havia se apaixonado por uma visão que teve na floresta. Acordei, abri o computador, escrevi compulsivamente tudo o que havia sonhado e peguei no sono novamente.
Só depois vi que aquele cavaleiro se parecia com você... era meu príncipe encantado, o homem perfeito que só existia nos meus sonhos.

- E eu li o livro e fiquei quase louco. Quem era aquela escritora que me conhecia tanto? Palavras que eu disse para a Mary quando a conheci, uma caminhada que dei na floresta quando era adolescente e tinha acabado de fugir de casa, estava me sentindo sozinho... cada pensamento, cada sentimento que tive naquele momento, estava lá...
Liguei imediatamente para o Michael e o mandei descobrir tudo o que existia sobre você, ele achou que eu queria te processar e se empolgou... Quando revelei meu plano de te trazer para cá, para escrevermos o livro juntos, ele pirou... Pobre homem!

- Ai Jack – suspirou Clara – não sei nem o que te dizer.

- Agora eu entendi o recado... Você estava lá, eu estava aqui e nós precisávamos estar juntos. O outro lado deu um jeito...

- Posso te dizer mais uma coisa, Jack? Se agora você estiver assustado e também acha uma loucura esta história de casamento, eu entendo perfeitamente...

- Olha aqui, meu amor. Tudo isso me fez te querer ainda mais. Por mim, me casava com você ainda hoje.

- Jack, eu tinha te falado que precisava pensar, mas acho que não preciso mais... Aliás, esse é o tipo de coisa que não tem como pensar, querer uma explicação lógica... Eu aceito!

Jack agarrou-a e começou a beijá-la... Estava enlouquecido de alegria e as lágrimas escorriam dos olhos dos dois.

Clara pegou o celular e ligou para Cindy a pedido de Jack, queria que David fosse o primeiro a saber da decisão que haviam acabado de tomar e convidar os dois para serem padrinhos do casamento.

- Oi Cindy! Tudo bem por aí? O David já chegou em casa?

- Não, mas deve chegar a qualquer momento, ele me ligou e o avião dele já pousou no aeroporto, por que? Quer falar com ele?

- Não... liguei porque eu e o Jack vamos nos casar e queríamos convidar vocês para serem os padrinhos, acabamos de decidir...

- Que ótimo! Estou feliz e tenho certeza de que o David também vai amar essa idéia! Vocês fazem todo o sentido do mundo juntos.

- Preciso contar também para a minha família e meu sócio... Acho que ele vai ter um choque quando souber.

- Queria ver a cara daquele urubu do Michael... Isso promete ser muito engraçado!

- Estou até com dó!

- Bom, amiga, domingo, na festa do neto do Jack poderemos comemorar mais apropriadamente. Ah! E faça esse hippie do Jack te comprar um anel de noivado decente, escolha o maior diamante da loja porque ele pode pagar.

- Nem pensei nisso, mas ficaria muito sem graça de dizer uma coisa dessas para ele, não preciso de nada disso, eu tenho o Jack.

Ao dizer isso, os olhos de Clara procuraram os de Jack, do outro lado da sala, uma nova onda de ternura subiu em seu horizonte. O sentimento era tão forte que quase a sufocava, era inacreditável que ela ia se casar com aquele homem.

Depois de desligar o telefone, Clara ligou para sua casa e sua família inteira ficou chocada ao saber das notícias. Sua mãe chegou até perguntar-lhe se estava fazendo aquilo por estar grávida. E ela respondeu que não, estava se casando porque estava apaixonada.

Jonas ficou tanto tempo em silêncio, depois de ouvir a notícia, que Clara chegou a achar que a ligação tinha caído.

- Mas isso é uma loucura, Clara. Vocês mal se conhecem.

- É, mas vamos nos conhecer com o tempo...

- E o livro?

- Não se preocupe com o livro, nós vamos escrevê-lo e mandá-lo no prazo para editora. Ainda sou uma jornalista e escritora profissional, com casamento ou sem casamento.

O celular de Jack tocou, era David e os dois ficaram conversando por horas. Jack ria tanto que Clara chegou a ficar com medo.

Ainda não tinha parado para pensar, mas era verdade, ela estava prestes a casar-se com aquele que sempre foi o homem perfeito de sua imaginação e que era ainda melhor na realidade.

Era uma quarta-feira qualquer em sua vida, mas tudo havia mudado! Tudo mesmo.

Jack desligou o telefone e atirou-o para longe, sobre outra das poltronas da sala, depois, vendo Clara sentada em um dos sofás, fingiu que mergulhava e deitou-se no sofá com a cabeça em seu colo.

- Então, meu amor, está pronta para ir para Londres amanhã?

- Londres? Por que?

- Porque estes dedinhos aqui, estão precisando de um lindo anel de diamante...

- Mas Jack...

- Mas nada... Vamos para Londres, achei que poderíamos ficar por aqui, mas o David não consegue viver sem mim, agora que vamos nos casar você precisa saber o meu maior segredo.

- Segredo?

- Sim, não conta para ninguém, mas o David e eu somos amantes. Não conseguimos viver longe um do outro. Você e a Cindy são apenas disfarces.

- Você é maluco, mas eu te amo tanto que guardaria a porta desse armário de vocês para sempre, sabia? - riu Clara. - Está bem, então, vamos para Londres. Como já te disse antes, eu vou para qualquer lugar do mundo desde que seja com você.

Clara refez as malas que havia desfeito apenas dois dias antes, estava feliz por tudo o que estava acontecendo, mas no fundo do seu coração ainda preferia passar mais uns dias sozinha com Jack, sem complicações, sem compromissos.

- Jack, precisa de ajuda para arrumar a mala?

- Não, querida... é uma das coisas que eu mais sei fazer, arrumei malas a vida inteira e posso até dar aulas sobre o assunto.

- Ok! Vamos de carro né?

- Não... Desta vez vamos de avião, preciso estar lá às 11 da manhã e é melhor assim. Vamos usar carro com motorista e ficamos na casa do David, é mais prático e a Cindy pode te fazer companhia e ajudar a resolver tudo. Você pode fazer as entrevistas com o pessoal de Londres da lista do Michael.

- Ótimo, Jack, já estou ficando preocupada com o livro. Nunca pensei que fosse ser tão complicado arrumar tempo para você me contar sua história...

- Vai dar tudo certo, se você quiser podemos fazer um esquema em que você faz as entrevistas, passa para o papel e eu leio e comento. Acho que assim vai funcionar melhor.

- Boa idéia, Jack... Acho que vai funcionar bem. Precisamos trabalhar neste livro; não quero te tirar do seu marido, mas vou precisar de sua colaboração e da dele para por as coisas em dia. – disse rindo.

E brincando, os dois terminaram de arrumar as malas e depois seguiram até a cozinha para fazer um lanche. Jack tomou a frente mais uma vez e preparou seu famoso purê com salsichas, jantariam e iriam cedo para a cama, pois o voo de retorno para Londres estava marcado para as sete da manhã.

A manhã seguinte chegou rápido e os dois tiveram que correr para chegar a tempo de alcançar o vôo. Jack passou no escritório de Michael, acertou alguns detalhes sobre os próximos shows e os dois estavam livres para tomar café da manhã em um pub na esquina e de lá, seguir para Heathcliff Hall.

Mas para surpresa de Clara, o motorista seguiu para a mesma região da cidade onde ficava o hotel em que ficaram em seus primeiros dias em Londres e parou na porta da sofisticada joalheria Tiffany & Co.

- Jack, você não vai fazer isso...

- Vou sim, vamos fazer tudo como deve ser feito, por isso, vamos lá dentro e você vai escolher o anel mais lindo que eles tiverem e eu vou colocá-lo no seu dedo e logo vamos fazer isso tudo novamente na frente de todos os nossos amigos e você passará a ser a senhora Noble. Vamos?

Clara desceu com ele do carro e os dois foram recebidos na porta pela gerente da loja que lhes mostrou uma elegante coleção de anéis de diamante, Clara encantou-se com um diamante que parecia mudar de cor, possuía inicialmente um brilho dourado, mas quando uma luz um pouco mais forte o atingia ficava muito azul. Uma característica muito especial para ela porque aquela pedra se comportava como a cor dos olhos de Jack, pareciam cor de mel em um instante e se revelavam muito azuis sob uma luz mais forte.

Depois que Clara escolheu o anel, Jack pegou-o nas mãos e o ambiente então mudou radicalmente: as luzes diminuíram e apenas um foco foi mantido sobre o casal, Jack ajoelhou-se aos pés de Clara e mais uma vez a pediu em casamento.

- Sim – ela respondeu – beijando-o na testa.

E depois do pedido, a loja continuou a surpreender Clara, em alguns segundos um garçom trazia champagne e Clara recebia um lindo bouquet de rosas vermelhas.

Jack tirou da carteira um cartão para pagar pelo anel, uma estranha operação para Clara, que nunca chegou a saber o preço da jóia, lembrou-se de uma velha frase feita que dizia que em alguns círculos, ter que perguntar quanto custa costuma significar não ter dinheiro suficiente para comprar.

Os dois voltaram para o carro sorrindo apesar de terem sentido no caminho as primeiras gotas da chuva que começava a cair, e uma hora e meia depois, chegavam em Heathcliff Hall onde Cindy e David fizeram muita festa para eles, estavam felizes com a alegria de seus amigos.

Todos entraram em casa correndo por causa da chuva e logo estavam tirando fotos e bebendo mais champagne para comemorar.

O casamento ainda não estava marcado, mas teria que ser de alguma maneira encaixado entre shows, gravações e o lançamento do novo disco e do livro.

Depois do champagne, os dois subiram para o quarto que haviam ocupado na semana anterior para deixar a bagagem e trocar as roupas molhadas. Tudo muito rapidamente porque David e Cindy os esperavam para um almoço de comemoração na sala de vidro.

- Que bom que você veio para cá, Clara, já achava que este meu amigo aqui era um caso perdido. E surgiu você, esta pessoa pequenina que o tirou do fundo do poço. – disse David.

Clara sorriu e procurou pelo olhar de Jack, do outro lado da mesa e seus olhos brilhavam muito mais do que o diamante que ela tinha no dedo.

O tempo corria rápido e logo o almoço terminava, David e Jack esperavam pela chegada de Michael Silver que estava em Paris, preso no aeroporto pelo tempo ruim.

Enquanto os dois colocavam a conversa em dia, Cindy e Clara conversavam sobre tipos de casamento em que haviam estado já começando a planejar a festa que não tinha sequer uma data certa.

- Lindo esse anel, foi você quem escolheu, não é?

- Foi... Como você sabe?

- Homens não sabem escolher essas coisas, o Jack é um doce de pessoa, mas eu não imagino que ele conseguiria comprar algo tão lindo sozinho. - disse Cindy - Mas você ainda não me disse como isso aconteceu. Ontem, de um minuto para o outro você resolveu aceitar o pedido.

- É mesmo. Foi uma coisa muito estranha; ele me disse que me chamou por causa de uma das histórias do meu livro, exatamente aquela que escrevi após um sonho. Pareceu-me que o destino queria muito nos unir e assim decidi aceitar.

- Você quer me dizer que aquele personagem do livro, que o Jack cismou que era ele, meu Deus, Clara... Alguém lá em cima quer mesmo que vocês casem! Estou chocada! O David vai pirar quando souber.

- O David? Por quê?

- O David leu e releu sua história, depois disse para o Jack que ali estava um recado claro para ele e era bom tentar entender porque parecia muito importante. Foi aí que o Jack lembrou de um convite da editora que ele tinha recebido uns dias antes e resolveu juntar as duas coisas.

Clara estava gostando de finalmente compreender como havia ido parar naquela situação que sempre sonhara, mas estava ainda muito longe de entender o porquê daquilo tudo. E como já havia aprendido, resolveu que era o momento de fazer as pazes com aquela decisão do destino e ao invés de tentar explicá-la, apenas vivenciá-la da melhor maneira possível.

Já não lutava mais para distinguir aquilo que sentia naquele momento e o que sentia antes, o seu ideal de felicidade e o que estava vivendo naquele momento se fundiam, eram uma coisa só e não podiam mais ser separados. Jack Noble era um rockstar, seu ídolo de sempre, seu amante, seu melhor amigo e o homem com quem estava disposta a viver daquele momento em diante.

Cindy e Clara foram até a biblioteca da casa onde Cindy passou a buscar contatos que pudessem ajudar no planejamento do casamento, mas mal chegaram lá, Jack e David bateram na porta.

- Clara! Você precisa me contar agora esse seu sonho... o Jack me disse que um homem contou para você a história do cavaleiro na floresta, como era esse homem? Me conta como foi esse sonho.

- É estranho, não costumo lembrar muito dos meus sonhos, mas este marcou muito. Eu estava nervosa, estava escrevendo o livro e a única das músicas da Crossroads que ainda não tinha uma história era a “The Song of the Woods”. Comecei a escrever umas duas ou três vezes e abandonei as ideias, nada parecia bom o bastante para a minha música favorita.
Era madrugada e eu estava frustrada porque aquele texto não saia por mais que eu me esforçasse. Deixei a música rodando repetidamente e me deitei no sofá, só para descansar um pouco os olhos e acabei pegando no sono.
Sonhei que estava em uma casa, no meio de um bosque e que ouvia um pássaro cantando lá fora. Fiquei intrigada com a beleza daquela música e saí para tentar vê-lo, mas tinha muita névoa e eu não enxergava direito, então seguia o som.
Aí fiquei cansada e me sentei, recostei-me em um tronco de árvore e apareceu naquele bosque, um homem alto, que se parecia muito com o Gandalf, do Senhor dos Anéis. Ele me disse que se eu lhe desse uma moeda de ouro, ele me contaria uma história.
A moeda de ouro estava em meu bolso e eu a entreguei ao homem. E tudo, absolutamente tudo o que ele me contou sobre o cavaleiro que partiu de sua casa porque queria provar seu valor, entrou na floresta e apaixonou-se por uma visão, eu escrevi assim que acordei.

- Fascinante! - respondeu David - Para mim está claro que foi algum tipo de intervenção mágica. Como eu te disse Velhão, existe algum outro propósito maior aí que você e a Clara precisam entender e isso só vai acontecer depois que vocês se atirarem de corpo e alma nisso.

- Mas nós já nos jogamos - disse Jack sorrindo.

- Sem paraquedas - completou Clara.

- Vocês já decidiram a data do casamento? - perguntou David.

- Ainda não, precisamos encaixar entre a tour, a gravação do disco e o lançamento do livro. Precisamos pensar bastante para que a gente tenha tempo de fazer tudo certinho. - respondeu Clara.

- Mas precisa ser assim? Tudo certinho mesmo? - perguntou David - Porque o Jack parece estar disposto a te levar para Las Vegas e casar em uma daquelas capelinhas na frente do primeiro clone de Elvis que achar.

- Vocês não entendem né! - interrompeu Cindy indignada. - Para vocês tudo vale, mas casamento para nós é a realização de um sonho. Duvido que a Clara sonhe em se casar numa daquelas capelinhas ridículas.

- Eu quero me casar com o Jack! Quando? Ainda não sei. Como? Também não sei. Mas Vegas? Prefiro aqui, na biblioteca, com o David fazendo a cerimônia.

- Por que vocês não casam aqui? No jardim? - perguntou Cindy.

- Ah! Não quero arranjar problemas para vocês. Será que não dava para fazer em um salão de hotel, em Londres? - disse Clara.

- Não... Aqui será perfeito Clara! Nem você nem o Jack ligam para religião, certo? - perguntou Cindy.

- Perfeito mesmo - disse Jack.- que tal, Clara? Você gosta tanto desse jardim e eu também gosto. Vamos convidar poucas pessoas, só a família e uns poucos amigos e pronto!

- Onde são os próximos shows? - perguntou Cindy.

- Aqui, no Reino Unido. - respondeu Jack.

- Então vocês se casam assim que terminar a turnê, aqui em casa - disse David - Que tal?

Jack e Clara se olharam e sorriram. Estava decidido então, o casamento aconteceria na casa de David, antes do final do verão. Cindy comprometeu-se a preparar a festa em seu jardim e David, de padrinho, tornou-se o oficializador da cerimônia.

Depois de abrirem o calendário no computador, todos concordaram sobre a data, o casamento seria realizado no dia 18 de agosto, antes do final do verão, nos jardins de Heathcliff Hall, na frente de poucos convidados.

O celular de David tocou novamente, era uma mensagem de Mike avisando que seu vôo tinha acabado de obter autorização para partir e dentro de umas duas horas, ele estaria chegando.

Jack e David voltaram a sua rotina de discutir músicas, arranjos e nomes para assumir a bateria, enquanto Clara e Cindy começaram a decidir efetivamente como seria o casamento, a lista de convidados e detalhes sobre qual área do jardim seria usada e também sobre a contratação de uma empresa especializada em planejar casamentos, já que o tempo que teriam para providenciar tudo seria muito curto.

O dia seguiu no mesmo ritmo, logo Michael e Jennifer Silver também chegaram e se dividiram pela casa, Michael foi direto para o estúdio e Jennifer passou a ajudar Clara e Cindy com suas idéias para o casamento e a tarde seguiu com as três andando pelo jardim, ainda molhado depois da chuva, procurando o melhor espaço para a cerimônia.

Clara estava radiante e simpatizou imediatamente com Jennifer, uma jovem ex-modelo americana que estava casada com Silver há apenas dois anos e agora o acompanhava, quando viajava eventualmente com sua banda de jazz, ou em seus trabalhos como produtor e compositor de trilhas sonoras de cinema. Aliás, Jennifer conheceu Michael em uma festa que aconteceu após o Oscar há três anos.

No final do dia, os seis jantaram juntos e a noite foi alegre e romântica. Mais uma vez, dentro daquela casa, todos estavam felizes e passaram uma boa parte da noite conversando e comemorando.

Jack e Clara não se largavam, pareciam tentar compensar o fato de terem deixado para trás a lua-de-mel na casa de campo de Jack, para trabalhar e planejar o casamento.

Enquanto as mulheres que estavam naquela casa pensavam em flores, arranjos e vestidos tudo o que os rapazes planejavam era encontrar um local apropriado para montar um palco onde poderiam tocar na festa.

Já era madrugada quando Jack e Clara decidiram ir dormir. A cabeça de Clara girava, aquele foi um longo dia e ela estava cansada e ansiosa.
Jack deitou-se e dormiu em uma questão de segundos, enquanto ela apenas pensava em tudo o que precisava fazer e isso incluía conversar com Jack e fazer algumas entrevistas, enquanto escolhia um modelo de vestido de noiva, fazia reservas de passagens para sua família vir ao casamento e resolvia como seriam a decoração e o catering da festa.

Tentou acalmar-se respirando fundo, mas não funcionou desta vez, estava cansada, precisava dormir e não conseguia. Levantou-se, foi até o banheiro e pegou seu iPod para ouvir música.
E enquanto Jack dormia profundamente, ela olhava pela janela a neblina espalhando-se pelo gramado. Desejava que tudo fosse mais simples e que naquele momento, Jack estivesse acordado para mostrá-la o quanto a amava e provar que tudo valia a pena.

De repente, como se ouvisse o que ela pensava, Jack aproximou-se dela por trás, empurrando seus cabelos para o lado para beijar seu pescoço. Ela virou-se e beijou-o na boca, depois arrancou a camiseta que ele usava para dormir e os dois voltaram para a cama, deixando suas roupas espalhadas pelo caminho.

Jack parecia mais uma vez estar sendo consumido pelas chamas e a levou a sentir tanto prazer que achou que estava derretendo em seus braços.

Continua

Nenhum comentário: