8 de out de 2011

Rockstar - Capítulo II


Clara respirou fundo, não podia deixar que ele percebesse seu nervosismo, seus joelhos tremiam e aquele pequeno percurso de apenas alguns passos parecia se transformar em quilômetros, suas pernas falhavam e ela tinha a impressão de que todas as pessoas naquele saguão a olhavam.

Tinha medo de que sua voz não saísse, que ele percebesse que suas mãos estavam geladas e que ela era na verdade um ser humano patético, completamente indigno de sua atenção. Mas seguiu em frente e Jonas e Noble vieram em sua direção.

- É um prazer conhecê-la finalmente. Fez boa viagem? – Noble disse a ela estendendo a mão.

- É uma honra conhecê-lo, sempre admirei muito seu trabalho. - respondeu tentando não tremer.

- Obrigado. – ele respondeu – Estou hospedado aqui também e gostaria de convidá-los para almoçar em minha suíte.

Aquele era um hotel luxuoso e aquele homem enorme, de 2 metros de altura, com cabelos longos cacheados, usando bermuda jeans, tênis, camiseta preta sem mangas, boné e óculos escuros que tirou, assim que a viu aproximando-se, chamava atenção dos inúmeros executivos, que circulavam por lá.

Entraram no elevador e subiram até o andar da cobertura. O acionamento do elevador dependia do uso do cartão chave que Noble tinha em mãos.

Não conseguia nem olhá-lo diretamente, mas aproveitou os espelhos do elevador para enxergar melhor alguns detalhes; os traços angelicais de sua juventude já não estavam mais em seu rosto, mesmo assim ainda era um homem muito atraente, com a pele muito clara, agora avermelhada pelo calor que fazia naquela tarde e olhos que naquele momento estavam muito azuis por causa da iluminação do elevador, mas que muitas vezes pareciam cor-de-mel.

Mesmo com a barba por fazer e usando roupas confortáveis, seria difícil para ele entrar em qualquer ambiente sem ser notado.

E nem em seus sonhos mais ambiciosos Clara imaginou que algum dia estaria assim tão perto dele. Tomando coragem finalmente resolveu fazer-lhe uma pergunta casual:

- Você não anda com seguranças?

- Aqui não tem necessidade, o hotel cuida para que ninguém me perturbe. Além disso, este cartão, que é a chave da suíte, faz com que o elevador siga direto para a cobertura; um pequeno truque para snobs que não podem perder tempo com a gentinha, mas que vem bem a calhar para este velho hippie. – respondeu com um sorriso simpático nos lábios.

Logo estavam no 23º andar, em um hall todo de mármore branco que levava às portas duplas da suíte cuja intenção clara era a de impressionar através do tortuoso caminho dos excessos.

Não era a toa que o nome daquela suíte era Versalhes, escrito ao lado da porta em letras douradas, rebuscadas, como, aliás, todo o resto se mostrou quando as tais portas duplas, com maçanetas douradas, se abriram.

Jack Noble, com um fino senso de ironia sempre prestes a brotar dos lábios, roubou a piada antes que alguém o fizesse: - Desculpem por todo o ouro, mas é o que sobra para nós, artistas decadentes...

A frase cortou o gelo e os três caíram na risada.

Como era de se esperar, a suíte era imensa e além de outras amenidades possuía um lindo piano de cauda em um dos cantos, branco, com muitos entalhes em dourado.

Vendo o piano, Clara não perdeu a chance de devolver a piada a Noble: - Liberace esteve aqui! Esqueceu o piano...

Noble sorriu e respondeu: - Acho que ele morava neste lugar... Desculpem, mas quando meu agente fez as reservas, a cidade já estava sem muitas opções e só nos sobrou essa coisa...

- Mas não estamos reclamando - respondeu rápido - É bonito... de uma certa forma...

- Este é o único momento em que sinto saudades da época dos excessos do Crossroads... eu e os rapazes não deixaríamos nada inteiro neste lugar naquele tempo - Disse Noble, dando uma boa gargalhada, enquanto fingia ter um taco de baseball nas mãos.

- Mas viemos aqui para almoçar e nos conhecermos melhor... Vocês bebem o que?

Clara pediu uma coca-cola, tinha medo do que poderia acontecer sob o efeito do álcool. Seus anos de experiência lidando com famosos e seus grandes egos a ensinaram que eles preferiam ser tratados como pessoas comuns, o que no final das contas, eles eram. Ela sabia que não conseguiria distanciar-se o suficiente do que estava sentindo naquele momento se bebesse.

Jonas e Noble optaram por uísque, o que a preocupava um pouco, já que sabia que seu editor não tinha costume de beber e por isso, a mínima dose o deixava alto.

- É a primeira vez em Nova York? - perguntou Noble.

- Não, já estivemos aqui há uns dois anos, quando assinamos a liberação da versão americana para os "Songbooks". Mas nunca tínhamos andado de limusine antes - respondeu Jonas.

- Vocês são casados?

- Não, somos sócios, ela escreve e eu publico, ou ajudo a publicar - respondeu Jonas, já com um sorrisinho meio bobo no rosto que indicava que o nível de álcool em seu sangue estava prestes a causar problemas.

Não sei se foi o tom da pergunta, ou o olhar malicioso que Jack Noble, agora sem o boné, lançou sobre ela, mas repentinamente Clara começou a sentir novamente seu coração disparado e teve a certeza de que seu rosto ficou vermelho; o que levou um risinho cínico aos lábios de Jack.

Aquele era exatamente o personagem que ela esperava encontrar, um homem sexy, capaz de seduzir a todos ao seu redor, que não se importava nem um pouco com julgamentos e fazia exatamente o que queria.

Mas era a vez de Clara perguntar: - O editor da Golden Books disse em um dos e-mails que você gostou do livro sobre as músicas do Crossroads e por isso ele teve a ideia de me chamar. De qual história você gostou mais?

- Eu gostei de todas e também da idéia do livro. Músicas servem de inspiração para tanta coisa, e você as usou para fazer boa literatura. Mas não quero discutir negócios hoje, eu os chamei até aqui, e que meu empresário não fique sabendo disso, para conhecer melhor a mulher que será a minha voz quando eu contar a história de minha vida. Porque no final de tudo é isso o que os “ghost writers” são, não é? Levam as ideias e histórias de quem não tem suficiente autoconfiança para invadir o mundo das letras sozinho, como eu.

- Sim, eu suponho. – Respondeu Clara, tentando disfarçar a surpresa diante de sua confissão de insegurança para por no papel sua própria história.

- Você, Clara Oberhan será a voz de Jack Noble! – Brincou o cantor em um tom ainda sem muita convicção.

Claramente, Jack apresentava-se ainda um tanto perturbado com o projeto, o que atiçava ainda mais a curiosidade de Clara.

Mas todas suas conjecturas foram interrompidas quando Jones, o mordomo que trabalhava na suíte, apareceu em uma porta que até então Clara nem havia notado e com toda a pompa e circunstância, anunciou que o almoço estava servido.

Clara e Noble riram impiedosamente do pobre homem, enquanto Jonas, já estava zonzo demais para compreender a piada e o senso de cumplicidade que nascia entre eles.

Assim, poucos minutos após o almoço, Jonas já dormia em uma das confortáveis poltronas da suíte, deixando Clara ainda mais sem graça.

E depois do vinho branco do almoço, veio o champagne e os dois beberam sozinhos duas garrafas e tanto Clara como Jack já estavam percebendo os efeitos daquele excesso.

Noble havia se sentado ao piano e tocava algumas melodias suaves das antigas baladas de sua banda, puxou Clara pelas mãos para que sentasse ao seu lado e pediu a ela que cantasse porque precisava resguardar a voz para o show.

Empolgado, Noble começou a fazer a segunda voz em “Love you Forever”, a música mais romântica da Crossroads, Clara não conseguia mais conter-se e deixou que as lágrimas começassem a escorrer de seus olhos. Noble, a encarava com um olhar terno e parou de tocar, segurando seu queixo e enxugando suas lágrimas com as mãos.

Ele estava prestes a beijá-la, mas o celular que ela havia deixado sobre o piano começou a tocar de repente e ela ergueu-se de um pulo: - Meu Deus! Já são cinco horas! Preciso descer, tenho que me preparar, a limusine vai passar aqui às seis e meia.

Sacudiu Jonas para acordá-lo e com Jack os acompanhando, os dois entraram novamente no elevador:

- É só apertar o botão do andar de vocês, eu suponho que os snobs não deixam a gentinha os incomodar, mas não abrem mão do direito de incomodá-los. – disse Noble sorrindo – Vejo vocês no teatro.

Clara sentia que tudo havia ido longe demais, o trabalho ainda nem tinha começado e ela já tinha quase beijado o homem que a estava contratando, um rock star veterano que ainda tinha muito daquilo que o tornara o sex symbol de sua época, e com charme suficiente para transformar-se em um problema em potencial, se ela não conseguisse resistir.

Daquele momento em diante, tudo teria que ir bem mais devagar.

Entrou no quarto, abriu a mala e decidiu-se por um vestido longo cinza, sem alças e sem mangas, que ela usaria com uma echarpe azul estampada com motivos orientais.

Nos pés, uma sandália também cinza, com saltos altos. Lavou e prendeu os cabelos com um conjunto de palitos japoneses e mesmo tendo que fazer tudo muito rapidamente, conseguiu sair do quarto exatamente cinco minutos antes do horário marcado.

No corredor, mais uma vez, repetiu o ritual de verificar se estava com todas as coisas de que necessitaria na bolsa, maquiagem, perfume, os ingressos do teatro, o celular e o cartão-chave.

Quando já estava esperando pelo elevador, Jonas veio em sua direção: - Quer um pouco de dor de cabeça? Nossa! Em poucos minutos você já está parecendo uma estrela de Hollywood?! Me dá um autógrafo?

- Nós vamos de limusine, não é? Resolvi entrar no clima!

- Está certa! Tem que ir vestida para matar o velho hippie!

O elevador chegou e ela não tinha a mínima intenção de que a conversa dos dois continuasse naquela direção.

Daniel já esperava pelos dois no saguão, abriu a porta de trás do carro, deu a volta e logo os três já estavam no meio do trânsito intenso de Nova York no final da tarde.

O sol ainda estava alto, a posição de Nova York ao norte significava dias muito longos naquela época do ano, que só escureciam realmente depois das 8 da noite. Com a janela do carro fechada e o ar condicionado gelado, Clara pegou sua echarpe e cobriu-se porque já estava começando a sentir frio.

Percebendo que ela estava com frio, Jonas abriu o bar do carro, tirou uma garrafa de uísque e ofereceu-lhe a bebida: - Quer esquentar um pouquinho?

Desta vez, ela aceitou. Estava nervosa e ansiosa demais e um copo de bebida poderia ajudar.

A frente do teatro já estava lotada de gente, filas, uma enorme agitação e um clima de expectativa tomavam conta de todo o quarteirão.

Daniel então entrou em uma fila que tinha algumas limusines e carros de luxo dizendo que ali era a porta do setor VIP, que os levaria até o camarote de onde os dois assistiriam ao show.

Depois do show, haveria uma festa no camarim e tudo o que eles necessitavam para passar pela barreira de seguranças era um adesivo grande que estava dentro de um envelope que ele havia entregue a eles assim que chegaram ao carro. O adesivo deveria ser colado em sua roupa.

- Vocês me ligam, ou mandam um texto para avisar quando quiserem voltar ao hotel. Boa diversão!

Os dois agradeceram e seguiram pelo tapete vermelho, até uma porta onde mostraram seus convites.

Uma hostess os levou por corredores estreitos até um camarote que ficava logo acima do palco, do lado esquerdo. O próprio teatro era uma atração à parte, parecia um cenário de um filme de época, com seus enormes lustres de cristal, cadeiras e cortinas de veludo vermelho e frisos dourados que decoravam toda a sala; para completar ainda foram informados de que a produção do show estaria oferecendo champagne a seus convidados.

Jonas sentia-se um rei, estava amando toda aquela atenção e garrafas de champagne Dom Perignon gratuitas. Já Clara preocupava-se em chegar ao final do show suficientemente sóbria para seguir com seu plano de ir mais devagar, evitando atirar-se nos braços daquele homem que tanto a atraia.

O show começou, e claro, havia a música de seus discos solo e do novo disco, mas a platéia vinha abaixo cada vez que ele cantava uma das canções de sua antiga banda.

Até que no meio do espetáculo, Jack pegou o microfone e começou a falar alguma coisa sobre velhas e novas amizades e que dedicava sua próxima música, para sua mais nova velha amiga, que ela tivesse ouvidos e muita paciência para ouvi-lo: - “Love You Forever”.

O público foi ao delírio, centenas de celulares se acenderam na platéia, enquanto Clara pedia mais champagne. Sentiu naquele instante que seu projeto de manter tudo em bases profissionais estava fadado ao fracasso.

E mais de uma vez, ela percebeu que Jack olhava em sua direção, mandando beijinhos e acenando quando percebia que tinha sido notado.

O show chegou ao final, a banda aplaudida de pé voltou duas vezes ao palco para o bis e Clara já não conseguia mais concentrar-se no que eles tocavam, mas ficou surpresa quando Mick Jagger, da banda Rolling Stones, subiu ao palco para acompanhar Jack no blues “Love in Vain” que fechou a apresentação.

A hostess abriu as cortinas de seu camarote e disse que os guiaria até a área em que aconteceria a festa, perguntando se tinham os adesivos e pedindo que os colassem nas roupas.

Agora uma longa fila de convidados se concentrava nos corredores, que seguiam na direção do backstage, onde equipamentos de som e luz, cenários e toda a maquinaria que dava vida ao teatro se encontravam.

E no final de toda aquela confusão de objetos e fios existia uma porta, que se abria para uma grande sala, onde a festa aconteceria. Jonas disse que provavelmente era uma sala de ensaios e aquecimento e que ele esperava que ela fosse bem grande porque existiam muitas pessoas ali.

Jonas e Clara finalmente entraram na festa e logo procuraram um canto onde pudessem de forma discreta, esperar que Jack chegasse; era tudo o que podiam fazer, já que não reconheciam mais ninguém ali, a não ser Mick Jagger que naquele momento conversava com David Mersey e sua esposa.

Depois do champagne no camarote, Clara resolveu pedir uma coca-cola ao garçom e Jonas voltou ao uísque.

De repente, de outra porta, ao fundo da sala, com os cabelos molhados, surge Jack e o coração de Clara dispara ao notar que ele vasculha a sala com os olhos.

Ao lado de um outro homem, o guitarrista de sua banda atual John Stronghold, ele ia passando e cumprimentando cada uma das pessoas presentes.

Até que localizou Clara com o olhar e acenou para ela. Jonas pegou-a então pela mão e a levou até perto dele, que neste momento, havia parado no grupo onde estavam Mersey e Jagger.

Ele pediu licença e puxou Clara pelo braço, perguntando o que havia achado do show. E ela, um pouco embaraçada, respondeu que era uma das melhores coisas que havia visto na vida.

Jack sorriu e a apresentou a seus amigos, como sua nova amiga Clara Oberhan, a escritora brasileira dos Songbooks.

Ela os cumprimentou e sorrindo um pouco envergonhada, afastou-se do grupo preocupada com Jonas que havia ficado sozinho.

Jack foi novamente até ela: – É aqui que você veio se esconder?

- Não estou me escondendo, só estava procurando o Jonas, você sabe onde ele se meteu?

- Não vi... Talvez tenha arrumado alguém para passar a noite. – ele respondeu com um olhar malicioso.

- Será? Ele não faria isso comigo... A limusine...

- Não se preocupe, se ele foi embora, você vai comigo para o hotel! – respondeu Jack, pegando sua mão e a beijando.

- Jack, me desculpe se antes deixei você entender que... – Clara começou a procurar palavras e elas faltavam – bem, não acho certo deixar rolar... Pode estragar o nosso...

Mas antes que Clara terminasse a frase, Jack já a estava beijando e mais uma vez seus olhos estavam cheios de água.

- Não estragará nada, apenas tornará tudo melhor! – disse Jack, enquanto a puxava para o camarim. - Vem, você vai comigo para o hotel, passa um texto para o seu amigo avisando, que eu estou te dando uma carona na limusine que está me esperando lá fora.

Jogando todos os seus planos para cima, Clara fez exatamente o que Jack pediu, mandou uma mensagem de texto para Jonas e entrou com Jack no carro.

Enquanto o motorista ainda manobrava para sair do beco, Jack subiu o vidro que os separava do motorista e os dois se atiraram nos braços um do outro com fúria; Clara abriu a camisa de Jack e começou a beijar seu peito, enquanto ele acariciava todo o seu corpo.

Ela não conseguia mais pensar em nada, abriu o zíper do jeans de Jack e a excitação dos dois embaçava os vidros do carro, Jack era exatamente o amante insaciável e carinhoso descrito pelos relatos das groupies e Clara apenas o desejava, aquele homem que a fascinava como nenhum outro. E mesmo estando ali, seminua ao seu lado, dentro de uma limusine, continuava sendo um ídolo a seus olhos, um deus intocável.

Por isso, depois de tudo, as lágrimas insistiam em correr silenciosamente de seus olhos. Jack, enquanto ajudava a vestir-se, percebeu seus olhos molhados: - Quer dizer que se tivermos um relacionamento, você acabará desidratada de tanto chorar?

Clara riu da piada, enquanto tentava recompor-se para chegar ao hotel: - É bobagem, eu sei... É que foi tão repentino, intenso, louco...

- Foi! Vamos passar a noite juntos e será de novo e mais uma vez, antes da reunião. – disse Jack beijando seu pescoço e abrindo um largo sorriso.

- Não, Jack! Isso não pode acontecer nunca mais. Estou aqui para trabalhar com você, não sou uma groupie. - disse descendo do carro na porta do hotel e indo até o elevador.

- Mas por que não? Somos adultos, livres... Nós dois queremos. Vem, vamos subir na minha suíte para conversarmos sobre isso. Prometo que não toco em você, se você não quiser.

- Ok, Jack. Vamos conversar, então.

Clara subiu junto com ele novamente até a suíte Versalhes. Estava assustada com o que tinha acontecido naquele carro, com a facilidade que havia se entregado para aquele homem.

- Um uísque? - ofereceu Jack, enquanto servia para si mesmo uma dose.

Clara aceitou enquanto procurava o que responder para ele, que naquele momento havia assumido a postura mais séria que já o vira assumir. Pegou o copo, bebeu um gole, respirou fundo e disse:

- Jack, é óbvio que sinto uma atração enorme por você e em outra situação, não tenha dúvidas que nós já estaríamos dentro daquele quarto, mesmo que isso nunca tenha acontecido na minha vida. Mas...

- Mas?

- Vamos trabalhar juntos, não posso. Não é certo, não é ético... Você será meu patrão neste trabalho.

- Então, seu patrão a está mandando deitar-se com ele, porque ele não consegue pensar em outra coisa neste instante a não ser em você. O que tem de errado nisso?

- Você nunca deve ter ouvido não de uma mulher, não é?

- Claro que sim... Não sou tudo aquilo que falam sobre mim. Às vezes sou só um cara grande, meio estabanado que não sabe direito onde colocar as mãos.

Clara tomou mais um gole de uísque ao ouvir aquilo. Estava totalmente atraída por ele, mas teve medo de atirar-se nos seus braços, como seu coração pedia agora.

- Está bem, sei quando perdi uma partida e mesmo que isto esteja me ferindo neste momento, eu prometo que não insistirei mais. Só voltaremos a nos tocar quando você tomar a iniciativa, ok? - disse estendendo a mão para Clara.

- Obrigada por compreender - Clara aproximou-se dele, pegou sua mão e deu um beijo em seu rosto. Tremia muito agora.

Caminhou até a porta da suíte e a abriu, indo rapidamente até o hall de entrada. Sentia-se muito mal por rejeitá-lo daquela maneira e buscava razões lógicas para o que estava fazendo sem conseguir encontrá-las.

Quando o elevador finalmente chegou ao andar e Jack estava puxando a porta para que ela entrasse, Clara parou seu braço e beijou-o. Um beijo quente, apaixonado, que o colocou novamente em ação.

Jack empurrou de volta a porta do elevador e puxou Clara contra seu corpo, levando-a para dentro da suíte. As roupas que os dois usavam foram ficando pelo caminho até o quarto e os dois se entregaram de corpo e alma à atração que sentiam.

Decidida a enfrentar tudo o que aquela situação poderia lhe trazer de ruim, Clara estava agora deitada na cama de Jack Noble e na escuridão de seu quarto podia senti-lo dormindo ao seu lado.

Não conseguia dormir, pensamentos rodavam velozes em sua cabeça: o carinho e a admiração que sentia por aquele homem, o trabalho que estava prestes a realizar com ele e a certeza de que aquela intimidade estragaria tudo.

Jack acordou e a puxou para mais perto de seu corpo, ela continuava acordada, preocupada com o que estava acontecendo, nunca tinha dormido com ninguém na mesma noite em que se conheceram e menos ainda com alguém que a estava contratando para o trabalho mais importante de sua vida.

Percebendo que ele estava dormindo novamente, Clara levantou-se, foi até o banheiro da suíte e de lá pegou um roupão atoalhado, que ainda estava embalado e o vestiu.

Foi até a sala de estar e caminhou até o terraço ajardinado que tinha uma belíssima vista do Central Park, naquele momento, ainda mais bonita, com o céu começando a ser tocado pelos primeiros reflexos avermelhados do amanhecer. No céu transparente e sem nuvens, um reflexo prateado da lua crescente e muitas estrelas brilhantes pareciam querer dar um show só para ela.

Clara deitou-se em uma das cadeiras de piscina que ficavam no jardim e lá olhando para o céu da madrugada, pegou no sono.

Sonhou com Jack, ele andava ao seu lado em um bosque, os dois estavam nus e chegavam a uma linda lagoa onde mergulhavam.

Jack e Clara nadavam na água transparente e nela brincavam como se aquele fosse o elemento natural em que viviam. Estavam experimentando uma felicidade tão grande que tudo brilhava ao seu redor.

Quando Clara abriu novamente os olhos, o dia já tinha amanhecido. Ela precisava voltar para seu quarto, tomar um banho e colocar tudo em ordem antes da reunião na editora.

Entrou, foi até o quarto, sem fazer qualquer som, mas percebeu que Jack não estava mais na cama, tinha ido ao banheiro.

- Jack?

- Bom dia querida, já falo com você. – respondeu com a voz cheia de carinho.

Sem saber direito o que fazer, Clara saiu pelo quarto recolhendo suas coisas. Queria voltar ao seu quarto, quando Jack saiu do banheiro, de banho tomado e com uma toalha ao redor da cintura.

- Você quer tomar um banho antes do café? – perguntou Jack beijando-a com um hálito de quem acabou de escovar os dentes.

- Acho melhor eu ir para o meu quarto... – começou a dizer Clara.

- Melhor para quem? Você vai me deixar aqui sozinho? De novo aquela história de "não podemos, não é certo"? – interrompeu Jack, aproximando-se dela e tentando abraçá-la.

- Por favor, ainda estou muito confusa e preciso de roupas, não posso ficar andando nua por aí.

- Não concordo com isso, por mim, você nunca mais ficará vestida, nem eu... - disse, jogando a toalha que o envolvia para longe.

Clara começou a rir novamente, aproximou-se de Jack e o beijou. Depois recolheu suas últimas peças de roupa e sua bolsa e quando estava saindo do quarto, abriu o roupão, mostrando o corpo nu: - Já volto, para continuarmos com esta conversa.

Continua

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