22 de fev de 2009

A CHAVE (capítulo IX)



A manhã não poderia estar mais bela, Ana olha ao redor e tudo parece perfeito, até o ventinho frio que vem do lago e bate em seu rosto suavemente; como para lembrá-la de abrir ainda mais os olhos para aquela paisagem deslumbrante.

As águas calmas servem de espelho para um céu sem nuvens e um horizonte emoldurado por gigantes montanhas azuis se estende ao longe e se duplica em detalhes dentro do lago.

Ela se afasta um pouco das águas e caminha até a sombra de uma árvore, eram assim quase todos os dias daquele longo verão; estava pronta para aprender mais, mas desta vez, não era Josef quem a aguardava.

O rosto era familiar, mas ela não conseguia lembrar-se de onde o conhecia; as roupas não poderiam ser mais comuns: calças jeans, camiseta branca, botas, nada que entregasse de verdade a origem daquele homem.

Ela caminhava em sua direção tentando lembrar-se onde vira aquele sorriso antes?

- Ana, acorda agora!

Ela abriu os olhos e precebeu que sentia uma dor muito forte na cabeça, estava deitada em uma calçada, tudo estava revirado à sua volta, o som de sirenes tomava conta de tudo.

Perto dela, um rosto muito familiar a olhava com preocupação: - Você está bem? Perguntava em português com um certo sotaque indefinível.

A dor de cabeça era muito forte, ainda sem entender direito o que tinha acontecido, ela se esforça para se levantar, olha ao redor, tentando localizar sua mochila e percebe que ela está nas mãos daquele homem estranho que agora conversa com ela.

- Não se preocupe, suas coisas estão aqui. Nada disso estava previsto, mas sou eu aquele que você deveria encontrar. Josef era meu amigo.

Ao ouvir esta frase, Ana estremeceu e por um instante pareceu que aquela cena, aquele momento, já havia acontecido antes. Fazia tempo que não tinha aquela sensação, mas os dejavús sempre estiveram presentes em sua vida.

O homem estendeu a mão, ajudou-a a levantar-se e a puxou por uma estreita rua lateral que descia na direção de um vale. A confusão ainda era grande, mas ela só queria agora afastar-se dela.

Parecendo advinhar seu pensamento, o homem levou-a até um jipe, estacionado em outra viela, mais adiante, pousou sua mochila no banco detrás e abriu a porta da frente para que ela subisse no carro.

- Desculpa, já sei que você é a pessoa que eu estava procurando, mas você ainda não me disse seu nome - disse Ana, com um sorriso que mal disfarçava sua sensação de insegurança.

- Pode me chamar de Mikail. - O homem respondeu, estendendo a mão e abrindo um belo sorriso - Coloca o cinto...

O carro se movia ainda lentamente pelas ruas estreitas cheias de gente.

- Você sabe o que aconteceu?

- Não, mas acho que não devemos ficar pensando nisso agora....

Continua