7 de nov de 2009

A CHAVE (capítulo XV)



Depois do café da manhã, Mikhail levou Ana para uma visita a área de fabricação de vinhos.

Por alguns momentos, ela sentiu-se em uma outra época, poucos camponeses moviam-se lentamente em um longo galpão onde a luz do sol, que entrava por janelas muito altas, fazia brilhar o topo de grandes recipientes de metal.

Mikhail explicou-lhe detalhadamente cada uma das etapas da fabricação do vinho, e como cada uma delas influenciava no resultado final que se obtinha, desde a colheita da uva e ela ficou um pouco desapontada ao descobrir que as uvas não eram mais amassadas pelos pés dos camponeses, mas prensadas em máquinas modernas.

Uma segunda construção ao lado, aparentemente mais antiga e feita toda de pedra, abrigava grandes barris, onde o vinho "dormia" seu sono alquímico, antes de ser engarrafado, em um outro galpão anexo.

Ver todo o processo, deixou Ana ainda mais apaixonada pelo vinho que provou no final da "excursão", no escritório da vinícola, onde alguns turistas conversavam animadamente com a recepcionista.

- Meu pai sempre foi contra isso - sussurrou Mikhail apontando discretamente para os turistas - Achava que muita gente circulando na vinícola perturbava as vinhas.

- E você não concorda?

- Não. Acho que a presença das pessoas ajuda no crescimento delas, dá uma razão às vinhas, que são plantas orgulhosas para sentirem-se mais amadas e admiradas.

- Você fala das plantas como se elas fossem gente.

- Elas não são gente, mas têm consciência e sentimentos. Percebem tudo o que acontece ao seu redor e falando nisso, acho que está na hora de você saber uma coisa muito importante, tudo, absolutamente tudo no Universo é energia e está interconectado.

Disso, ela se lembrava, havia lido em um dos primeiros livros de Josef a afirmação de que "matéria é energia condensada" e que nada, nem mesmo as rochas mais sólidas estavam realmente paradas, sempre existia movimento entre as pequenas partículas que compunham seus átomos.

Na época em que leu esta parte do livro, Ana correu até uma biblioteca e descobriu em livros de física que a ideia de Josef não era tão maluca assim e estava bem demonstrada em trabalhos de físicos importantes, que haviam mudado a "cara" da ciência na primeira metade do século XX.

- Nada no Universo está realmente fixo, tudo vibra! - Respondeu Ana, lembrando-se do que havia lido.

- Exatamente! Que bom que você já sabe disso - disse Mikhail sorrindo.

- Sei... cheguei até a pesquisar em livros de física sobre este assunto. Mas ainda não sei o que me aconteceu hoje de manhã, no jardim.Fiquei com medo, achei que estava morrendo.

- Ah! A catalepsia projetiva! Não se preocupe, tem um bom livro sobre isso na minha biblioteca. Agora vamos voltar para casa porque o almoço já deve estar pronto.

Christie já estava esperando pelos dois com uma deliciosa refeição pronta, uma boa salada verde com tomates e queijo chèvre e salmão grelhado com um delicioso molho de frutas.

Na sobremesa, uma fatia de torta de frutas e uma taça de licor, que Ana teve dificuldade em identificar do que era feito.

Na verdade, a refeição correu praticamente em silêncio, com o ritual habitual de Mikhail e Christie a antecedendo e Ana, repetindo mentalmente a oração da casa de sua avó.

Logo após o almoço, os dois ajudaram Christie com os pratos na cozinha e coube a Mikhail finalmente quebrar o silêncio:

- Agora, depois que te apresentei ao mundo maravilhoso do vinho, já está na hora de você conhecer o meu laboratório. Vamos? - disse ele estendendo a mão para Ana.

Continua

3 comentários:

Marco A. disse...

Olá Drika; gostei bastante da forma com que escreve, e dos contos em si, inclusive estou iniciando a leitura de "A Chave". Estarei lhe acompanhando. Abraços Marco

Marco A. disse...

Olá Drika, passei novamente para ver se tinha alguma continuidade no conto, por favor não pare ok. Abraços marco

Drika disse...

Oi Marco,
Obrigada pela visita e pelos elogios...
Tenho mais um capítulo quase pronto para postar em breve.
Abs,
Drika