15 de abr de 2009

A CHAVE (capítulo XI)


Depois do banho, Ana desceu as escadas e encontrou-se com Christie na cozinha, onde ela cortava legumes para um ensopado.

Um prato simples e rústico que parecia combinar perfeitamente com aquela ambientação campestre e sem luxos da casa.

Enquanto comentavam a loucura do que havia acontecido no povoado à tarde, onde a explosão de um gerador, causada por uma simples sobrecarga de energia havia causado pânico na multidão e muitos feridos pela correria desordenada que se seguiu à ela; Ana não podia deixar de pensar no que teria acontecido com ela se Mikhail não tivesse aparecido no momento certo.

Mesmo sabendo que Mikhail era a pessoa que ela deveria encontrar, para Ana, tudo parecia ainda muito cercado de mistérios e sua curiosidade levou-a a encher Christie de perguntas, um verdadeiro interrogatório que simpáticamente foi respondido questão a questão:

- Esta é a Vinerie Saint Jaques, uma tradicional produtora de vinhos que foi comprada pelos avós de Mikhail, logo após a Segunda Guerra e que se tornara o "negócio da família", depois que eles deixaram o Leste Europeu fugindo do nazismo.

Mikhail é filho único, fez faculdade em Paris, mas antes de terminar o curso aconteceu algo muito estranho, de um momento para o outro ele resolveu pegar uma mochila e viajar pelo mundo. Seus pais ficaram muito contrariados, ameaçaram até deserdá-lo, mas ele parecia muito decidido.

Durante esta viagem, ele foi até a Eslovênia, onde conheceu Josef e depois de algum tempo, voltou para a Vinerie completamente mudado.

Passou a focar-se completamente nos negócios da Vinerie e aprendeu tudo o que podia com seu pai, por conicidência, assim que ele começou a tomar a frente nos negócios, seus pais morreram em um trágico acidente de avião. O que mais você que saber? - perguntou sorrindo Christie, para Ana que sentiu-se ainda mais sem graça por fazer tantas perguntas.

Ana não sabia bem o que dizer, mas o barulho de Mikhail entrando em casa salvou-a do constrangimento.

- Boa noite, senhoras! Como está o jantar?

- Ainda demora algum tempo para chegar à mesa - respondeu Christie enquanto cortava algumas ervas para tempero.

- Bem, então ainda há tempo para um banho, com licença, volto rápido. Podem voltar a discutir meus dados biográficos, enquanto isso...

O comentário de Mikhail provocou risos em Christie e um leve rubor em Ana, que não conseguiu reagir a ele e passou a procurar algum objeto da cozinha para manter o foco de sua atenção, agora que estava completamente envergonhada de sua curiosidade.

Seu olhos pousaram imediatamente sobre um belo vaso com as mais linda orquídeas que ela já havia visto em sua vida, e finalmente depois de longos cinco minutos em silêncio, ela tinha encontrado outro assunto para discutir: flores e seu cultivo.

Continua

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