4 de dez de 2008

A CHAVE (capítulo VII)


Nos dias que se seguiram, Ana sentia-se estranhamente tranqüila, no meio de um verdadeiro furacão.

Tudo mudava ao seu redor e inúmeros preparativos eram providenciados para que a próxima fase dos planos de Josef pudesse acontecer, a idéia era a de começar a estudar a tal ciência, que ela deveria desenvolver e passar adiante, como o legado de sua vida.

Mas ela teria apenas dez dias de prazo para deixar tudo em ordem em sua casa e partir para a Europa, onde vivia aquele que teria a missão de ensiná-la. O complicado seria chegar lá, já que nem mesmo um passaporte ela tinha e para piorar, a Polícia Federal já estava há mais de um mês em greve, e o documento só era fornecido em casos de urgência.

Embora para Ana existisse certamente uma urgência, dificilmente ela conseguiria provar isso para policiais grevistas mal humorados, que mantinham o serviço de emissão de passaportes funcionando precariamente.

Mas Ana sabia que isso não seria necessário, aos poucos ela percebia que a rede de pessoas que pertencia à "corrente subterrânea" estava em todos os lugares e em apenas dois dias, o seu documento estava emitido e pronto para a viagem.

Para Ana tudo ainda era muito estranho, mas todos os obstáculos de seu caminho desapareciam como se o universo inteiro estivesse em um esforço concentrado para que ela pudesse cumprir com seu compromisso.

Tudo foi muito rápido e na data combinada, Ana estava na poltrona de um avião, fazendo a primeira viagem internacional de sua vida, indo rumo a Paris, de onde seguiria por trem para um pequeno vilarejo na fronteira da França com a Espanha chamado Saint Jean Pied de Port.

Lá, uma pequena cidade, a primeira da rota do famoso "Caminho de Santiago", ela deveria encontrar o homem a quem Josef chamava apenas de "Mestre".

Estranhamente, naquele mundo de certezas que sua vida havia se tornado, o tal Mestre era a única coisa que deixava Ana insegura.

Não sabia seu nome ou seu endereço, sequer sabia se ele falava sua língua; no caderno apenas uma anotação que não dava muitas pistas:

"Dia 18/07 às 16 hrs, você deve ir ao encontro do Mestre, ele a espera em Saint Jean Pied de Port, na praça principal da cidade.

Lembre-se de que deve obedecê-lo cegamente, somente assim poderá aproveitar tudo o que ele tem para ensiná-la.
PS: Não se preocupe, você conseguirá reconhecê-lo assim que o vir."

Como? Não sabia, mas se o tal vilarejo era mesmo pequeno, talvez fosse quase deserto, se resumisse a apenas uma casinha e uma Igreja, como já ouvira falar de alguns lugares que faziam parte do famoso "Caminho de Santiago", uma rota medieval de peregrinação, que um escritor brasileiro havia popularizado.

Após o jantar a bordo, Ana adormeceu com o caderno de Josef nas mãos e teve um sono bastante agitado, imagens iam e vinham em sua mente, até que começou a sonhar com um enorme cão labrador amarelo, que se aproximava dela e roubava o caderno de suas mãos. Acordou assustada, ainda no meio da madurgada, quando percebeu que o caderno que segurava havia caído no chão.

Depois de acordar, teve dificuldade em pegar no sono novamente e apenas fechou os olhos até que o cheiro do café da manhã e o barulho dos comissários dessem a ela a chance de movimentar-se pelo avião novamente, sem achar que estaria incomodando o sono dos outros passageiros.

Assim que terminou o café da manhã, o comandante já anunciava que o pouso no aeroporto Charles de Gaulle aconteceria dentro de alguns instantes e agora era hora de concentrar-se para conseguir pegar o trem a tempo de encontrar o Mestre, quem quer que fosse ele, na hora marcada.

Continua

3 comentários:

Tainã disse...

você não vai escrever mais?

Drika disse...

Oi Tainã,
A história seguirá sim. Postarei em breve os próximos capítulos.
Abs,
Drika

Tainã disse...

Tô ansiosa, seu blog tá na lista dos 'vale a visita' do meu blog! ^^
sempre q dá eu entro aki pra ver se você postou mais, tô loka pra ver o fim da história! [/eu já li todas as outras, adorei 'o candelabro', ainda mais na parte em que fala de londres/J.K.Rowling/Harry Potter ~
Você escreve muito bem! Parabens!