13 de ago de 2008

A CHAVE (capítulo V)


"Desculpe ter que usar este truque, mas sei que você, neste momento, quer e precisa de provas. Siga minhas instruções e você as terá."

Sem saber exatamente se deveria, seguiu cada uma das instruções escritas naquela página e quando finalmente voltou para casa, não podia deixar de sentir-se um pouco tola por isso.

Seguir instruções escritas em um caderno, por um velhinho que nunca disse "coisa com coisa" - Ah! Eu devo mesmo estar ficando maluca! - repetiu para si mesma, enquanto olhava ansiosamente para o relógio, pendurado na parede da cozinha.

A ansiedade havia levado completamente sua fome e embora ela tivesse comprado todos os ingredientes para fazer um bom jantar, seguindo as ordens de Josef, ela sabia que não conseguiria sequer pensar em comida naquele momento, quanto mais fazê-la.

Demorou mais alguns minutos, que mais pareceram horas, para que Ana finalmente decidisse que era hora de começar a preparar o jantar, nem que fosse para sair um pouco daquela confusão que rodava o tempo inteiro dentro de sua cabeça.

Começou cuidadosamente aquele ritual de preparar os ingredientes que mais tarde seriam apreciados por ela e sua convidada, Dona Alma, para quem havia ligado antes de sair de casa.

- Bom, se nada acontecer, pelo menos terei mais uma história maluca para contar - continuava numa tentativa de convencer a si mesma de que tomara a melhor decisão.

O jantar já estava quase pronto e Ana foi tomar um banho e preparar-se para receber Dona Alma, que pontual, como sempre, apareceu em sua porta carregando flores e uma garrafa de vinho.

- Oi, filha... Trouxe para você.

- Obrigada, Dona Alma. São lindas! Vou colocá-las em um vaso.

- Então, hoje é o dia, não é?

Enquanto caminhava até o armário para procurar um vaso, o coração de Ana saltou novamente diante da pergunta de Dona Alma. O que será que ela sabe?

- Não entendi, Dona Alma, o que a senhora disse?

- Falei com Josef nesta noite, em um sonho, e ele me disse que hoje é o dia.

- Não sei, Dona Alma. Mas tenho algumas coisas para contar para a senhora. Só preciso que, por enquanto, a senhora esqueça sobre este assunto. - Disse Ana, quase em pânico, com a certeza de que o que estava vivendo jamais poderia ser explicado.

Continua

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