11 de abr de 2008

A CHAVE (capítulo I)


A chuva caia forte na tarde em que Ana decidiu ir embora, para ela era só mais um sinal que servia como reafirmação de seu propósito, ela sentia que o frescor do ar renovado pela água, parecia lhe dar razão: - A fila anda! Repetia para si mesma, enquanto colocava a mala no carro.

Abriu a janela, trancou a porta, jogou a chave para dentro pela janela e sem olhar para trás entrou no carro... - Chega! Tudo tem um limite e finalmente o dela havia sido atingido, não existia mais nenhuma razão para ela ficar naquela casa.

Estava deixando para trás algo importante, era a primeira vez que tinha tomado a decisão de viver com alguém, tinham uma boa relação, eram amigos que se transformaram em amantes, mas a rotina e a intimidade que envolve a vida a dois tornaram a convivência impossível.

A intimidade e a traição... para Ana, que sempre teve dificuldade em confiar em alguém, era a gota d'água; daquele momento em diante nada que os dois tinham vivido importava mais, só o fato de que o único homem em que já confiara na vida havia se mostrado indigno dessa confiança.

Mil imagens rodavam em sua cabeça enquanto dirigia sob a chuva, mas ela sentia que estava deixando tudo para trás, mais alguns dias, talvez umas férias, um tempo fora da cidade e ela estaria pronta para colocar novamente seu "currículo" no mercado.

E por falar em mercado, precisava ligar para a imobiliária com urgência, avisar que não tinha mais a intenção de alugar seu apartamento, precisava voltar a morar nele, agora que não morava mais com Roberto, mas isso ficaria para amanhã; com toda aquela chuva e com o trânsito dando sinais de que levaria horas para chegar a qualquer lugar, restaria para ela passar a noite na casa de uma amiga, que já tinha oferecido abrigo alguns dias antes, quando soube de toda a situação.

Pelo menos, não passaria aquela noite sozinha...

No dia seguinte, um feriado, Ana trabalhou o dia inteiro para tornar seu velho apartamento novamente habitável, uma terapia infalível para ajudar a limpar de sua mente a impressão dos últimos dias ao lado de Roberto, da descoberta acidental da traição à decisão final de acabar com a relação, tudo tinha acontecido muito rápido, nem parecia que eles se conheciam desde a infância.

Roberto era vizinho de Ana, os dois frequentaram a mesma pré-escola, depois a mesma escola e só se separaram na adolescência, quando o pai de Roberto foi transferido para o Rio de Janeiro. Perderam o contato e só se encontrariam novamente em um bar de rock, onde Roberto tocava guitarra com sua banda underground.

Ana estranhou os cabelos longos, mas o guitarrista daquela banda barulhenta, que a impedia de conversar com suas amigas tinha alguma coisa de familiar e não tinha parado de olhar para ela a noite toda.

Quando o show terminou, Ana foi até o banheiro e quando voltou, encontrou o músico já instalado em uma das cadeiras vagas ao redor de sua mesa, Clara, uma de suas amigas, parecia estar conversando animadamente com ele.

- Ana, por que você não disse que conhecia a banda?

- Eu? Não conheço... - respondeu na defensiva, já imaginando que a amiga estava caindo em algum tipo de golpe.


- Você não lembra mesmo de mim, Ana? Sou eu, o Roberto, filho da Dona Lúcia...

- Roberto? E na cabeça de Ana logo apareceu um garotinho sardento de cabelos louros, cacheados, sem os dentes da frente e com os olhos mais azuis que ela já tinha visto.

- É, sou eu... lembra? Eu mudei para o Rio...

- Claro... Nossa! Não esperava te encontrar!

De madrugada, quando finalmente saíram do bar, os dois combinaram que se encontrariam novamente e esse reencontro foi só o início do que seria o relacionamento mais sério de sua vida.

CONTINUA

2 comentários:

EAD disse...

Oi, adorei seu blog, mas vou voltar com calma p/ ler os capítulos anteriores.Feliz Natal.

larissaHt disse...

faz dias q to louca pra começar a ler seus contos, maS ando meio sem tempo por causa da escola, provas e trabalhos...
mas assim q chegar a férias (q ja esta pertinho)sem duvida começarei a ler todos. :D
beijos