5 de mar de 2008

O CANDELABRO (capítulo X)


Cansados da viagem, os dois passaram ainda muitas horas conversando até que pegaram no sono e dormiram abraçados, na cama de Ivan.

Nos primeiros raios da manhã, uma luz tênue começou a tomar conta do quarto, ela deixou seu marido na cama e começou mais uma vez a caminhar sozinha pelos corredores largos do palácio. Desceu, de novo os degraus, descalça e descabelada, que levavam até o jardim e lá, esperando com um sorriso nos lábios estava Ivan.

Clara abriu os olhos e percebeu que Ivan estava lá, com os braços ao seu redor e quando seus olhos se encontraram ele se aproximou mais e beijou-a nos lábios.

De uma forma suave e apaixonada, enquanto a luz do dia ia aos poucos clareando e deixando ver todos os detalhes do quarto, os dois começaram a se despir e embora aquela fosse a primeira vez que seus corpos se encontravam, ela parecia reconhecer cada detalhe, como se já tivessem estado um nos braços do outro há muito tempo.

A emoção estava a flor da pele, cada um dos sentidos se ampliava, as palavras e os sons desapareciam e os dois se tornaram um só.

Sem olhar para o relógio, eles passariam o dia todo ali, não fosse a fome. Saíram no final da tarde para comer alguma coisa e seguiram para um dos melhores passeios que a cidade oferecia, a roda-gigante chamada London Eye, uma vista privilegiada e mais romântica que nunca no por-do-sol de mais um dia perfeito.

No retorno para o hotel, passaram pelo mercado e compraram champagne. Tinham ingressos para a exposição sobre o Faraó Tutankamon para o dia seguinte, mas não estavam preocupados, passaram mais uma noite em estado de graça.

O nevoeiro era muito espesso e a noite estava muito escura, sebes altas pareciam escurecer ainda mais a cena, apenas o candelabro em suas mãos permitia que enxergasse seus próximos passos.

A sensação era estranha, algo ou alguém o observava no escuro, mesmo assim, ele sentia que deveria seguir, mas antes precisava encontrar seu caminho através daquele labirinto vivo.

O vento começou a soprar o nevoeiro para longe e ele se esforçava para continuar mantendo a vela acesa. Logo, o céu começou a se abrir e ele podia ver as estrelas brilhando sobre o veludo do céu noturno e a lua cheia surgiu por cima das sebes, com sua luz branca prateada iluminando todos os detalhes.

Ele parou bem no centro do labirinto, onde existia um banco de jardim e de onde quatro diferentes corredores partiam, para quatro direções opostas.

Não sabia para onde deveria seguir, sentou-se no banco, apenas um daqueles corredores levaria à saída. Ao longe ouvia lágrimas, pela primeira vez em dias, tinha deixado de sentir as dores da febre que o acometia, sentia-se bem finalmente, mas estava triste por sentí-la triste.

Ivan levantou-se mais uma vez antes do despertador, com cuidado, para não despertar Clara. A tristeza que sentiu em seu sonho ainda o envolvia e sem saber por que, começou a chorar. Tudo era muito estranho naquele momento, não podia deixar que ela percebesse que seus sonhos também revelavam coisas de um passado distante, ao lado dela.

CONTINUA

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