2 de mar de 2008

O CANDELABRO (capítulo VIII)


O domingo começou bem cedo, o telefone tocou antes do programado, uma ligação do irmão de Ivan acordou os dois um pouco antes das 7 da manhã.

Quando Clara percebeu do que se tratava, apenas virou-se na cama, decidida a continuar dormindo mais um pouco. Aliás a voz de Ivan, falando bem baixinho para não incomodá-la serviu para embalar seu sono.

Era necessário levantar-se, tinha muitos compromissos naquele dia, precisava de soluções e não podia contar com ninguém naquele momento. Ainda estava escuro, ergueu-se, foi até a lareira, pegou um candelabro, acendeu a vela e desceu até a biblioteca, usou a escada em espiral, não queria que ninguém a seguisse naquele momento.

O que posso fazer? Não posso contar com ninguém, só comigo.

Sentou-se mais uma vez na escrivaninha de mogno, pegou uma folha de papel em uma gaveta, retirou a pena do tinteiro e quis começar a escrever. Estava muito escuro, precisava de mais luz, foi até a lareira da biblioteca, precisava de mais velas, pegou mais um candelabro, levou-o até a escrivaninha e o acendeu; o ar estava muito frio, seus pés estavam descalços, seus cabelos longos presos em uma trança, não podia fazer barulho, ninguém poderia vê-la naquelas condições, mas ela precisava de uma saída.

A escada em espiral se iluminou, era seu marido vindo com outro candelabro na mão.

- O que houve? Problemas?

- Meu discurso de hoje é muito importante, preciso que aquele homem perceba que não pode fazer o que bem entender, ele não pediu meu consentimento e preciso deixar isso muito claro...

- Não se preocupe, tudo vai dar certo.

Ele estendeu sua mão na direção dela, que apenas sorriu, pousando a pena de volta em seu tinteiro. Soprou as velas e aceitou seu braço. Mesmo com o mundo ruindo sob seus pés, ela não podia deixar de sentir-se feliz ao lado daquele homem. Era tudo o que importava naquele momento.

- Bom dia! O telefone te acordou, né? Era o Júnior me pedindo para levar um CD para ele...

- Oi... Você?

- Quem você esperava o Harry Potter?

- Não... é que eu... ah... esquece!

- O que foi? Outro sonho estranho?

- Muito... Preciso do meu bloquinho, antes que me esqueça de algum detalhe, ele está por aí?

- Está em cima da cadeira, aí do lado.

- Obrigada... enquanto eu escrevo por que você não se prepara para o café?

- Hoje não tem pressa, pensei até em voltar para a cama, está chovendo.

- Droga! Íamos ao Jardim Zoológico hoje, mas vamos ter que mudar de planos. - disse Clara enquanto colocava no papel com muito cuidado, tudo o que tinha visto em seu sonho.

Os dois se arrumaram, vestiram jaquetas impermeáveis e como não tinham guarda-chuvas, correram até a estação de metrô. Desceram em Picadilly Circus, atrás do CD encomendado pelo irmão de Ivan. Nas proximidades do famoso cupido de Picadilly ficavam algumas das maiores e melhores lojas de CDs de Londres e esse seria um bom programa para aquele dia chuvoso.

Na hora do almoço, os dois optaram por uma lanchonete ali por perto. A manhã tinha sido bem divertida, Clara tinha aproveitado para comprar mais um bloquinho, o seu já estava terminando.

Aproveitou que estava em uma papelaria e comprou uma porção de cartões postais. Lembrou-se de outro lugar que era próximo dali que eles poderiam visitar à tarde, sem se molhar; o Rock Circus.

CONTINUA

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